Proporcionou facilidades a fórmula de pagar a conta de água e luz em banco (diretamente no caixa ou lançamento automático em conta-corrente), ou em casa lotérica, farmácia, floricultura, mas isso não deveria invalidar que o usuário pudesse pagá-la tambem nas próprias agências de Sanepar e Copel. Se ele for quitar um débito atrasado, aí então o transtorno é grande. O devedor vai à agência, recebe o respectivo carnê e é direcionado para efetuar o pagamento numa daquelas empresas particulares. Se não estiver de posse do valor em moeda, não pode utilizar o cheque, porque aqueles estabelecimentos não o aceitam. Ele então tem de se deslocar até o banco para sacar o dinheiro.
Ali enfrenta longa fila, e depois de passar por esse suplício entra em mais um, que é achar outro lugar onde pagar. Porque havia recebido indicação para fazê-lo ali próximo da agência, mas ao deslocar-se para outro ponto terá de procurar um recebedor da vizinhança e não mais aquele anteriormente indicado e seria um atraso voltar ao lugar de origem. Mas, no novo ponto onde se encontra, não sabe onde fica a lotérica, a farmácia ou a floricultura autorizadas. Começa então uma nova via crucis. E ir ao banco é só para sacar o dinheiro, porque ali não é possível pagar conta atrasada, mesmo que em dinheiro. Porém a peregrinação não acaba aí: se o usuário em atraso quiser parcelar a dívida (caso, pelo menos, da Sanepar), tem que voltar para casa e buscar documento da propriedade ou o respectivo talão de IPTU.
Todas essas exigências, somadas, podem representar um dia inteiro de idas e vindas se o usuário tiver de utilizar-se de ônibus simplesmente para pagar uma conta de água ou luz. Tudo isso seria evitado se as duas repartições públicas (e as telefônicas são iguais) se dispusessem a facilitar a vida dos cidadãos e instalassem um simples guichê com caixa e receber ali mesmo. A alegação para não receber dinheiro no próprio local é o custo de uma tal estrutura e o risco de assalto ao menos esta a resposta que este jornal obteve, dada por funcionários.
Numa época de tanta inadimplência, nem aquele disposto a pagar consegue, porque a burocracia oficial emperradora dificulta. Seria como o dono do bar ou da loja vender a mercadoria e mandar o cliente pagar a conta na lotérica ou na floricultura da esquina, sob o argumento de que não quer instalar estrutura própria de recebimento. Também não se compreende porque um banco não pode receber essas contas atrasadas, e porque é preciso apresentar escritura da propriedade ou carnê de IPTU para obter parcelamento.
Se o cidadão devedor está comparecendo para pagar, que fraude ele estaria cometendo?! E parcelamento, será que isso encobre alguma falcatrua, a ponto de tanta exigência de documentação?! E mais, por que as duas empresas públicas entregam às lotéricas ou às floriculturas a responsabilidade de um eventual cheque sem fundo, a ponto de esses estabelecimentos (com razão) não o aceitar? Ora, se um cheque não tem provisão, ele volta. Então que se anule a operação e se corte a água ou a luz do usuário. Será preciso maior garantia?

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