A ciência ainda não deu sua palavra sobre benefícios ou prejuízos que os produtos geneticamente alterados possam causar ao organismo humano e animal. É, portanto, ainda prematuro fazer a defesa dos transgênicos sob o simples argumento de que evitam o uso de certos agrotóxicos e tragam lucros ao produtor. Também não se pode creditar aos pesquisadores o alcance da profundeza em que se encontra essa delicada questão, de alçada da ciência pura, porque eles se ocupam apenas da biotecnologia, que transmuta e separa espécies criando-lhes características diferenciadas mas não penetram no âmago da estrutura atômica desses produtos modificados. E é exatamente aí que deve fixar-se o ponto crucial da discussão.
Instituições de pesquisa lançam múltiplas variedades de plantas que geram produtos alimentares destacadamente soja e milho porém, se podem destacar certos atributos dessas espécies modificadas, nada garantem sobre sua qualidade essencial. É como colocar o carro adiante dos bois. Não é, portanto, o aspecto de mercado que deve preocupar, mas os eventuais perigos que os transgênicos venham a oferecer à saúde e à integridade celular das pessoas. A questão não pode condicionar-se à mera opção dos que desejam cultivar os transgênicos no lugar dos convencionais e de oferecer ambos à escolha dos grandes importadores e dos consumidores fora ou dentro do País.
Quanto à questão puramente estratégica e mercadológica, ontem lemos neste jornal um alerta, de alguém que veio dos Estados Unidos a terra da Monsanto, mãe da transgenia e chegou ao Paraná para avisar que multinacionais norte-americanas estão corrompendo políticos e funcionários do governo, em seu país, para liberação de alimentos transgênicos. Trata-se do ex-executivo Jeffrey Smith, autor do livro ''Sementes da Discórdia'' e que denuncia as pesquisas precárias acerca dos transgênicos patrocinadas pelos interessados nesse negócio e com o aval da própria Food & Drug Administration que trata dos alimentos. Suas palavras, ditas a autoridades governamentais, na capital do Estado, são de que as empresas detentoras da tecnologia dos transgênicos estão disseminando informações erradas ao Brasil.
Smith afirma que, nos Estados Unidos, a produtividade da soja transgênica é 6% menor em relação à convencional, que o uso de glifosatto aumentou e que isso implicou no aumento do custo de produção. Ele é taxativo no que define como um aviso aos produtores rurais brasileiros para que ''não caiam nessa amardilha''. Enfatiza que o governo do Paraná não está sozinho na proibição dos transgênicos, citando a própria Califórnia (em seu país), Austrália, Nova Zelândia, Itália, Áustria, Sudão e Angola entre os fortes reacionários ao modismo da transgenia, por não saberem exatamente quais as consequências para a saúde da humanidade.

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