O fato de dois ex-secretários de Estado terem sido presos e, horas depois, serem libertados mediante habeas corpus, não chega a ser surpreendente, porque prisões e solturas fazem parte do ordenamento legal e do sistema de flexibilidade das leis brasileiras. O que entristece é constatar, todos os dias, essa vergonhosa ocorrência de denúncias contra homens públicos, no mais dos casos com acusações de corrupção. Os cidadãos vivem esses sobressaltos constantes e ficam cada vez mais desencantados com aqueles que os governam e são encarregados de gerenciar os negócios públicos.
No caso do Paraná, os presos foram os ex-secretários do Governo Lerner, José Cid Campêlo Filho e Ingo Hubert, e mais seis outros denunciados, todos pela acusação de desviar cerca de R$ 17 milhões em operação de compensação de créditos de ICMS. Outros dois acusados fugiram antes da chegada da Polícia. Já numa vez anterior Hubert tivera prisão preventiva decretada, o que não chegou a consumar-se. Razão: improbidade administrativa e formação de quadrilha pela compra irregular de créditos tributários indevidos da massa falida da empresa Óleos Vegetais do Paraná (Ovelpar).
O ex-governador Jaime Lerner (PSB), ao qual os acusados serviram, manifestou-se imediatamente em defesa dos dois ex-secretários, classificando as prisões como ''absurdas e decorrentes de motivação política''. A mesma atitude foi tomada pelo presidente da Assembléia Legislativa, Hermas Brandão, que criticou, pela medida, a própria Justiça e o Ministério Público. Esta a questão posta e que figurou nas manchetes dos jornais de ontem, propagando mais abalos entre os já suficientes que tumultuam o universo político-administrativo.
Incumbe à Justiça examinar e julgar, e não cabe discutir neste espaço de jornal, no momento, se existem apenas razões políticas como afirma o ex-governador estas sempre presentes em qualquer circunstância. O que escandaliza é essa estampa frequente de denúncias, nos veículos de comunicação, envolvendo executivos públicos, o que já se tornou rotina no noticiário. A verdade é que o povo já não aguenta tantos açoites, desferidos em forma desses constantes escândalos.
As carências dos cidadãos são grandes, à espera de soluções governamentais, e ao longo dos anos elas têm sido mal atendidas justamente pela justificativa de escassez de recursos. Quando os escândalos irrompem, vê-se que recursos havia mas foram desviados para outras finalidades ou simplesmente surrupiados por intermédio de operações fraudulentas, caracterizando explícita corrupção. A população operosa, que vive grandes sacrifícios um deles pagar pesados impostos pergunta-se, desolada, até quando?

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