OPINIÃO DA FOLHA - A violência em Londrina
Pela primeira vez em sua história Londrina vive situação de descontrole na contenção da criminalidade e está diante de uma verdadeira guerra de extermínio, envolvendo traficantes de drogas. Ao menos as vítimas estão ligadas ao tráfico, segundo os relatórios da polícia. Na maioria são jovens dos bairros pobres da periferia, certamente executados pelos próprios companheiros que atuam na venda de drogas. São os agentes do pequeno tráfico, que viceja provavelmente entre fornecedores e consumidores da própria área em que habitam. Embora nem todos ligados ao negócio porém a maioria já aconteceram 63 assassinatos só neste ano, em Londrina. Um índice elevadíssimo, como nunca aconteceu antes, e sem que os assassinos sejam identificados.
Com tantos crimes por desvendar e um aparato de repressão insuficiente, já criou-se uma situação de luta aberta entre os próprios traficantes, que passaram a fazer à mão armada os seus acertos de contas. A população, aparentemente, se cala, porque contempla uma situação de auto-extermínio entre pessoas que abomina e deseja ver fora de ação. Mas vidas humanas, na maioria de jovens, estão sendo ceifadas e enlutando famílias, e esse estado de coisas demonstra impotência da cidade para proteger-se da violência e proteger também esses jovens, vítimas dos próprios ilícitos que cometem.
A violência está representada na pobreza que impera nos bairros miseráveis e que induz pessoas nessas condições a derivarem para atos extremos; está manifestada no tráfico e no consumo de drogas, envolvendo principalmente adolescentes; e está presente nesses assassinatos. Os efeitos já se tornaram flagrantes e rotineiros, e a causa é conhecida de todos: a situação de miserabilidade que castiga 50 milhões de brasileiros segundo estatística do próprio IBGE e os deixa sem opções. Em Londrina não é diferente. A cidade já deixou de ser tranquila e, pelo contrário, está muito perigosa, porque a par desses crimes de extermínio, estão acontecendo assaltos a mão armada todos os dias. Já não há como esconder que a situação é de descontrole.





