OPINIÃO DA FOLHA - A obra do Iapar nos seus 30 anos
É muito rica a colheita do Instituto Agronômico do Paraná nos seus 30 anos de existência que agora se comemora. Certamente que a agricultura do Estado não teria alcançado os elevados níveis a que chegou se não houvesse contado com a presença dessa instituição de pesquisa e desenvolvimento; teria sido outra a trajetória do agronegócio, os agricultores poderiam ter desistido de voltar a cultivar café e de continuar com o trigo, a monocultura da soja poderia ter esgotado a fertilidade de extensas áreas, o feijão não resistiria ao ataque de pragas e doenças, o bicudo teria destruído os algodoais, e da erosão poderiam ter brotado áreas desertificadas. As pesquisas do Instituto Agronômico resultaram em 108 variedades melhoradas de plantas da cadeia alimentar, em novo conceito sobre manejo do solo, no aumento da produtividade e na maior resistência às pragas da lavoura.
Produto do ideal de pioneiros de Londrina que há três décadas já tiveram a visão de que não bastava produzir em quantidade mas também com qualidade, desenvolvendo constante pesquisa e protegendo o solo e as águas o Instituto Agronômico do Paraná emergiu como instituição moderna, rompendo com padrões convencionais e consolidando a validade e a necessidade da pesquisa. Hoje dispõe de 18 estações experimentais, 33 estações agrometeorológicas, 20 laboratórios de pesquisa e prestação de serviços, 180 pesquisadores, dos quais 55 com doutorado e 87 com mestrado, e no momento desenvolve 189 projetos de pesquisa e 376 de experimentos com algodão, arroz, café, cereais de inverno, feijão, milho, pastagens, forrageiras, fruticultura, propagação vegetal, produção animal, manejo de solo e água e recursos florestais.
A instituição desenvolveu e adaptou métodos de terraceamento, plantio direto, rotação de culturas, microbacias e outras técnicas que embasaram programas de governo e permitiram recuperar extensas áreas do Estado, semi-produtivas, sobretudo na região noroeste. Essas ações inspiraram projetos similares em outros Estados e também em outros países da América Latina e da África. E o Iapar anuncia que a meta, doravante, é mais do que gerar tecnologia agronômica mas atuar em projetos de desenvolvimento rural, em todas as suas variáveis, incluindo tecnologia de alimentos, química fina, maquinaria agrícola, sistemas para melhor integração planta/animal/solo/ambiente, turismo rural e a formação de políticas públicas para o agronegócio.





