No momento em que se rememora a morte de Ayrton Senna, importa menos saber, agora, as razões que o levaram à tragédia de Ímola e muito mais seu exemplo de conduta, como piloto e como pessoa em sua forma leal, humilde e simples de ser. Não fossem, também, esses atributos de caráter que o marcavam fora das pistas, ele seria lembrado com restrições e sem esse tamanho carinho popular que lhe devotavam e ainda lhe devotam fãs brasileiros e de todo o mundo.

Embora rico e obcecado pela velocidade que o fez também um apreciador da pilotagem de aeronaves de grande performance e personagem sempre envolvido pelas luzes da fama (algo inevitável em sua condição), não era arrogante e nem apreciava muito os ambientes extra-pistas. Aqueles que o conheceram bem, afirmam que ele ficava abalado quando algum colega seu sofria um acidente grave, porque tinha consciência de que este não era o sentido das corridas, embora ele próprio tenha sido tangido pela fatalidade naquele 1º de maio de 1994. E se das tragédias pode-se extrair lições, a morte do notável piloto serviu para a mudança de carros e circuitos, tornando-os mais seguros já a partir da temporada seguinte.

Ídolos populares carregam a responsabilidade de produzir seguidores, sobretudo as gerações jovens, mais fáceis de moldar-se segundo padrões daqueles que estão em evidência e que lhes são referência. De Ayrton Senna,
a memória que se guarda é a do ousado corredor, e bom que isto se evidencie, porque não há atributo menos recomendável de que lembrar-se com relação a ele e sim de forma até imperceptível porém implicitamente de que era uma pessoa correta dentro e fora das pistas. Nada que o macule por eventuais desvios de comportamento, o que, infelizmente, costuma rondar pessoas de poder e popularidade. Temos o lamentável episódio de Diego Maradona, magistral futebolista, ainda agora cercado de admiradores apesar do drama que o envolve pelo envolvimento com as drogas e, por consequencia, com a saúde abalada, mas o doloroso desfecho não constitui exemplo para ninguém e machuca a alma da nação argentina, tão amante e idólatra do futebol como nós brasileiros.

Este momento de reverência a Ayrton Senna remomora também as marcas pessoais de um Emerson Fittipaldi, do tenista Gustavo Kuerten e sua maneira simplória de menino risonho e bem comportado, que mal sabe que é famoso e pouco se importa com isso. São tantos outros os brasileiros que deram tão bom exemplo como atletas e cidadãos para mencionar apenas os esportistas, na oportunidade em que se homenageia Ayrton Senna porém, o mais marcante é o inigualável Pelé, o mais famoso de todos, em todo o mundo e em todos os tempos, porém sempre um homem de natureza simples e de atitudes exemplares, a servir de paradigma e de engrandecimento para a humanidade.

mockup