OPINIÃO DA FOLHA - A corrupção em prefeituras
Não há dia em que os veículos de comunicação não falem de histórias de corrupção no poder público, e as prefeituras são campeãs nesse ranking, até porque em maior número que outras unidades de governo. Em Ivaiporã, o prefeito é afastado por improbidade administrativa, e o vice que assume narra fatos graves, relacionados com a gestão do antecessor. Em Guaíra, a Justiça afasta o prefeito por denúncia idêntica. Em Sabáudia, são comprovadas fraudes na administração municipal. Estes os fatos apenas do presente momento, que estão no enfoque do noticiário, porque é infindável o número de denúncias e investigações que correm e falamos somente do Paraná. Londrina e Maringá, os dois maiores municípios depois da Capital, ainda vivem a repercussão e as consequências dos desvios de dinheiro público na gestão passada e que resultaram no afastamento dos respectivos prefeitos.
São tantos os casos que a opinião pública já nem consegue guardar tanta informação a respeito, porque uma denúncia se sobrepõe rapidamente a outra e nomes e detalhes vão caindo no esquecimento, só ficando na lembrança a crônica escandalosa envolvendo a administração pública, em todos os seus escalões. Pensa-se poder e serviços da esfera oficial e logo pensa-se corrupção, e não há um brasileiro sequer dotado de algum princípio de cidadania que não tenha esse conceito acerca dos governantes. A desfaçatez e a falta de decoro já romperam os limites do tolerável. O caso de Ivaiporã é estarrecedor e semeou um clima de terrorismo, porque funcionários municipais estão com medo de retaliações caso o prefeito afastado volte, pois, segundo declarações desses servidores, ''ele sempre foi perseguidor e ameaçador''.
Este é um ano eleitoral, e candidatos às 399 prefeituras do Estado já estão em campanha para obter a indicação de seus partidos. Há uma obsessão por ser prefeito, mesmo com as notícias de prefeituras semifalidas. Mas uma vez no poder, começa a choradeira pela escassez de verbas para os atendimentos sociais e para obras, embora para alimentar manipulações e desvios os corruptos que se instalam sempre dão um jeito. E aí as histórias de desmandos se repetem e recheiam o noticiário, a indignação e a ira cívica dos cidadãos se instalam, e, ano após ano, é sempre a mesma coisa. A elasticidades das leis permite que os processos se alonguem, até que tudo caia na caducidade por decurso de prazos, e assim os valores subtraídos nunca são devolvidos, tudo ficando por isso mesmo.





