OPINIÃO DA FOLHA - A carência de vagas nas UTIs
Os governantes do município de Londrina e do Estado devem tomar assento frente à frente e decidir quem é o responsável pelo suprimento de vagas na Unidade de Terapia Intensiva Neonatal e na Unidade de Cuidados Intermediários do Hospital Universitário órgão da Universidade Estadual de Londrina. Segundo o promotor de Defesa da Saúde Pública, Paulo Tavares que acaba de ingressar com ação civil pública exigindo mais vagas o Governo estadual ''lavou as mãos'' e passou a responsabilidade para o município. E enquanto o impasse permanece, os cidadãos ficam desprotegidos num setor vital de atendimento, porque há superlotação nessas unidades e será um caos se ocorrerem situações emergenciais mais graves. A Secretaria de Estado da Saúde declara que não há desassistência, naturalmente se considera apenas uma situação de normalidade, mas as próprias denominações das duas unidades as definem como de necessidade imprevisível.
Londrina é cidade pólo, cuja solicitação de serviços tem abrangência regional e extrapola fronteiras estaduais no sentido norte. Nos casos de saúde, em função de sua estrutura instalada, é ponto de recorrência de pacientes de todas as procedências. Por isso ocorrem superlotações, e não apenas nas unidades em questão mas no próprio Hospital Universitário e em todo o complexo de atendimento de saúde pública. Com o excesso da demanda, também se intensificou o surto de contaminação bacteriana nessas unidades, o que constituiu um problema a mais e já extrapolando o nível de segurança, conforme diagnóstico do MP. Uma situação mais aguda de superlotação passou a acontecer desde meados do ano passado, e vem se arrastando até hoje, por isso a ação do Ministério Público que reclama o aumento de 7 vagas para 11 na UTI e de 10 para 15 na UCI.
A Secretaria de Saúde revela que a carência nas UTIs ocorre em todo o Estado e que está operando para implantação de mais 50 vagas, com licitações já em andamento para aquisição dos respectivos equipamentos. ''Vamos agir mediante o que a Justiça determinar'', declara diretor da Secretaria de Saúde; ''Caso a Justiça exija, a Universidade correrá atrás de verbas para a ampliação'', afirma a reitora. O que está parecendo é que as instituições encarregadas do setor só operem mediante a intervenção da Justiça e que estão menos preocupadas com tais necessidades do que o Ministério da Justiça. Porque foi a Promotoria de Saúde Pública que fez o diagnóstico e mostrou o ''estado de saúde'' ao menos no caso de Londrina daquelas duas unidades de atendimento, e agora reclama providências.





