A comunidade paga impostos para que a administração municipal execute as obras necessárias para o bem-estar comum, mas isto não invalida que os cidadãos se unam e tomem medidas por conta própria para suprir deficiências do poder público e, assim, operar em conjunto. Em cidades desenvolvidas de todo o mundo moradores de bairros organizam-se em associações e zelam por ruas, praças e jardins, e também se unem em movimentos reivindicando benefícios para a área que habitam. No Paraná essa prática também é adotada, não porém com tanta intensidade, mas onde essas associações se implantam os resultados positivos são visíveis, não apenas quanto à preservação e embelezamento do ambiente mas no reforço da integração comunitária e dos laços de amizade e boa vizinhança.
  Em Londrina, como este jornal mostrou na edição de domingo, funcionários de um hotel resolveram adotar a praça fronteiriça, que estava abandonada, e num dia de mutirão trataram da grama, recolheram lixo, lavaram, varreram, lustraram uma estátua de bronze do lugar, limparam lustres de iluminação pública e ainda prometem colocar floreiras e outras benfeitorias. Porta-voz oficial ressaltou a importância dessa ação comunitária e afirmou que os recursos da prefeitura para esse fim só são suficientes para atender a uma infra-estrutura de 100 mil habitantes, e a cidade já chega aos 500 mil. Certo que falta ao poder público muito de boa vontade e espírito de decisão – porque obras se faz menos com dinheiro e mais com disposição de fazê-las – mas a presença dos cidadãos na preservação dos bens que lhes estão próximos é fundamental e não pode ser dispensada, tornando-se mesmo uma necessidade.
  Uma cidade não é apenas a Prefeitura e a Câmara de Vereadores, mas as suas representatividades civís e os cidadãos em geral, que não devem manifestar-se somente no ato de votar mas todos os dias e em todos os momentos. Só assim se manterá acesa a chama da cidadania, que define a marca de civilidade de um povo. A Copa do Mundo, que trouxe tanta glória para o Brasil no campo do esporte, mostrou que a unidade nacional é possível, e tanto mais possível o será no âmbito comunitário. A pátria não significa os governantes mas todos os brasileiros, e só eles a farão grande e soberana. Tanto melhor se os governos cooperarem e atrapalharem o menos possível, mas a ação dos cidadãos é capaz de melhorar não só o meio mas também os próprios governantes.

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