OPINIÃO DA FOLHA -
Fiscalização e consciência
Embora ainda em número reduzido diante do tamanho do trabalho a ser desenvolvido, finalmente a fiscalização de trânsito em Londrina ganha novos agentes. A notícia é tranquilizadora, pois apesar do avanço tecnológico evidente ainda é temeroso acreditar nas máquinas que registram infrações e multam os responsáveis.
O equipamento instalado na confluência das ruas Goiás e Pernambuco, junto a um conjunto de semáforos, é um bom exemplo. Nos horários de maior fluxo, sobretudo de manhã, a situação nas imediações é desesperadora. Caminhões de verduras, leite e outros produtos costumam fazer manobras para descarregar mercadorias em um supermercado.
Na descida da Goiás o semáforo é rápido demais e cria náusea no motorista quando ele chega ao final do trecho antes de cruzar a Pernambuco, ainda com o sinal verde, e entra na confluência já no amarelo. Às vezes, usar o freio no local é perigoso, pois nem sempre o motorista que vem atrás é consciente. Mas corre-se o risco de uma multa, gravada pelo equipamento que poupa os motoristas que descem a Pernambuco, mas não perdoa os que trafegam pela Goiás.
Ainda que o ser humano esteja sujeito a cometer erros, a confiabilidade é maior no agente de trânsito, principalmente num local como aquele, onde nem sempre os erros dos motoristas estão relacionados ao seu mau desempenho ao volante. A fiscalização é necessária, mas que haja um meio que pense e raciocine. A máquina não distingue particularidades.
A necessidade de agentes de trânsito é presente também em outros pontos. Carros estacionados nas calçadas, principalmente próximos de garagens de venda de veículos usados, não é uma raridade em Londrina. E esse tipo de infração não pode ser imputada ao motorista. Quem a comete são, normalmente, corretores de veículos ou proprietários dessas garagens.
Porém, tamanha é a sorte destas pessoas que no momento em que elas cometem a infração dificilmente passa pelo local um soldado ou um agente do trânsito. Assim, por falta de flagrante e muito menos de punição, os carros são apreciados por vendedores e compradores em plena calçada, obrigando o pedestre a fazer a volta pela rua mesmo num trânsito perigoso.
Mas o ponto principal não é este. Em realidade, diz-se que a fiscalização e a punição dos infratores são necessárias enquanto não houver adequada consciência do cidadão. Especificamente no trânsito, não só o motorista, mas inclusive o pedestre, tornam as ruas perigosas para quem anda a pé, segue de carro, pedala ou está de motocicleta.
Ter mais agentes de trânsito ajuda. Além disso, uma boa dose de conscientização de todos é imprescindível.





