OPINIÃO DA DOLHA
Violência na porta da escola
Entre o ideal e o possível, a alternativa que resta é o bom-senso. E foi este o princípio seguido pelos participantes da reunião de segunda-feira, em Londrina, para discutir a proposta de revista em bolsas de estudantes dos estabelecimentos de ensino que apresentam mais casos de violência. Embora recheada de polêmica, pois a complexidade do tema leva automaticamente a debates infindáveis, sabiamente os cerca de 50 participantes, incluindo professores, autoridades municipais e representantes do Ministério Público, decidiram criar uma comissão para percorrer as 12 escolas com situações mais graves e estender as discussões para os pais de alunos. É a comunidade, enfim, que sofre diretamente os efeitos do quadro que se apresenta.
Recentemente, este jornal tratou do assunto em sua página Folha Cidadania, que circula todas as terças-feiras no Caderno Folha2. A reportagem tratou do medo que os estudantes sentem diariamente no caminho de casa à escola, pois em alguns estabelecimentos de ensino gangues de menores fazem plantão nos horários de entrada e saída dos escolares para cobrar o que ficou conhecido como ''pedágio''. As vítimas são obrigadas a deixar para as gangues o boné, o tênis, alguns trocados, o passe de ônibus e outros objetos que despertarem interesse dos pequenos infratores. Esta realidade pode não passar pela imaginação de pais de escolares matriculados em colégios de regiões mais nobres. Mas está presente no cotidiano das famílias das localidades habitadas por moradores menos favorecidos economicamente.
Então o ideal seria, numa projeção fora da realidade, que o emprego, a distribuição de renda, a cultura, o ensino, o lazer e tantos outros fatores importantes para o bem-estar de qualquer pessoa estivesse disponível para todos, de forma que ninguém fosse levado à criminalidade em consequência da exclusão social a que está submetido. E, por outro lado, que ninguém fosse vítima por dispor de condição pouco melhor que a do agressor. Já pelo ideal mais paupável, a disponibilidade de bons planos de combate à marginalidade poderiam ser solução. Mas nem isto, ao que parece, tem sido possível.
Quanto à verificação das bolsas, caberia saber por quais motivos um escolar vai à escola armado, sabendo-se que tentam, pelo próprio fato de estarem matriculados em uma escola, um futuro diferente daqueles que montam os ''pedágios'' para subtrair dos outros. Talvez o medo do que terá que enfrentar na porta da escola faça um aluno qualquer, desses de característica mais explosiva, estudar carregando na mochila facas e estiletes.
Só ele, o aluno, responderá esta pergunta. Desde que possa se abrir num debate amplo e revelar, sem temor de retaliações, o que acontece longe das vistas dos pais e dos professores. Entre o ideal e o possível, o correto é imaginar a escola como uma espaço intocável, inclusive pelas mãos da violência. E para isso não basta revistar alunos.





