Sobrevivência com ou sem Palocci e Lula

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A nação já
demoveu um
Presidente e
ficou intacta
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Para os catastrofistas políticos, se acontecer o ''impeachment'' do presidente da República haverá uma crise de consequências imprevisíveis. Isto não é tão verdadeiro assim, porque grandes abalos a nação já está sentindo desde que irrompeu a tempestade das denúncias de corrupção, e continua de pé. Se o ministro Antonio Palocci cair, e se o próprio presidente Lula for afastado, nada de pior irá suceder que os brasileiros já não tenham experimentado. Simplesmente será trocado um ministro por outro e o Congresso elegerá um Presidente para mandato tampão. (Porque o vice, já a esta altura, não poderá assumir). Ao menos, a partir daí, cessarão as expectativas e a nação sairá da situação de incerteza, porque nada é mais instável do que a situação ora vivida. Mas nem por isso haverá desânimo, embora a frustração e indignação do momento. Passado um natural estado de pânico no mercado financeiro, logo tudo voltará à normalidade. O Governo Lula já é inoperante e nada acena que algo de extraordinário fará nos 16 meses que restam do mandato. Simplesmente porque nada fez em tempo de bonança, quando tinha em mãos todas as oportunidades e contava com o povo marchando ao seu lado. Lula, no momento, não é mais que um arremedo de governante, e velhos companheiros afirmam agora, quando o barco está à deriva, que ele sempre foi um bom político mas não administrador. Com efeito, seu Governo não conseguiu dar andamento a nada que propôs. Ao contrário, a máquina governamental inchou-se ainda mais e a gastança não diminuiu. Lula não foi bom nem para escolher os seus ministros, e o resultado é o que se sabe. E agora, na crista da crise, ao invés de adotar alguma atitude heróica, que reerga o entusiasmo nacional, prostra-se em discursos chorosos, dizendo que 'querem acabar' com o seu Governo. Mas se alguém tem feito isso, foi ele próprio com seus homens. Lula continua repetindo que ninguém fez governo melhor que o dele, que as safras agrícolas cresceram três vezes mais em sua gestão, que criou 12 vezes mais empregos que o antecessor, que as exportações apresentam um grande superávit. Esses crescimentos são verdadeiros quanto aos números mas não quanto a algum mérito governamental, porque se empregos foram criados, isto se deve não a políticas públicas mas ao empresariado e aos demais setores produtivos e de serviços, que são os que tocam o Brasil de fato. Se a produção rural se expandiu, é também um mérito da gente do campo e não do Governo, embora seja preciso ressaltar o serviço da tecnologia, que emana de instituições governamentais mas que é movida principalmente pelo idealismo dos pesquisadores, abandonados à própria sorte pelos baixos ganhos. Se há superávit na balança comercial, é por merecimento das mesma produção agropecuária não por alguma ação governamental relevante. Por isso que, face a essa sólida estrutura da cadeia produtiva, o Brasil anda e não se abalará com a saída de um ministro, importante que seja, e do próprio presidente da República. De Palocci tem-se o conceito de um ditador que impõe sua política monetarista, favorecedora de juros assassinos para supostamente conter a corrida ao consumo e controlar a inflação. Assim, todas as coisas ficam mais difíceis. Talvez a queda do poderoso ministro provocaria uma guinada para melhor. E a esta altura engrossa-se a corrente para um basta também no experimento Lula. A nação já demoveu um Presidnete e manteve-se intacta. Agora, ainda mais solidificada, tem sustentação para aguentar qualquer abalo.

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