Opinião
Na medida em que
população aumenta
mais esse líquido
irá escasseando
Conscientização no uso e defesa da água
A água potável, um bem que não se extingue, pode no entanto escassear, pelo aumento populacional e pelo mau cuidado que resulte em poluição. Reportagem de ontem deste Jornal aponta para tecnologias que armazenam água da chuva para uso nos serviços diários. Essas técnicas já estão disponibilizadas há alguns anos, e funcionam. Mas impera ainda uma relutância a esse sistema de reutilização, parecendo que isto só venha a ocorrer ''quando a água chegar ao pescoço'', o irônico ensinamento de que só se aprende a nadar quando tal ocorre, mas no caso cabe a figura contrária de que quando os mananciais descerem ao nível dos pés aí o homem perceberá o valor da água. Preocupações existem em todo o mundo, e no Paraná um avanço já se verifica, em Curitiba, pela lei em fase de regulamentação que prevê a criação de um programa de conservação e uso racional da água nas novas edificações. Ou seja, doravante as construções devem adotar medidas que possibilitem a utilização de fontes alternativas em atividades que não exijam tratamento da água, sob pena de não obeterem alvará da Prefeitura. Esta é uma questão que as Câmaras de Vereadores devem encarar de frente e irem pensando na criação de leis pertinentes, podendo-se inclusive avançar para normas que imponham fiscalização e punição aos desperdiçadores. A Organização Mundial da Saúde recomenda que o consumo de uma família de quatro pessoas deve ser de 10 metros cúbicos mensais, mas citando-se um caso, o de Londrina esse consumo sobe para 12 metros, conforme dados da Sanepar. O corpo humano é formado por 65% de água, e se perder apenas 10% dela corre risco de vida, sabendo-se que a perda de 20% será fatal. A água é, pois, além de um bem de consumo, a própria energia vital do ser humano, dos animais e das plantas, propiciando à terra germinar as sementes e produzir alimentos. Por isso a guarda da água deve ser uma das principais preocupações da humanidade. À medida que a população aumenta e essa tendência não cessa, prevendo-se que as crianças da presente geração assistam ao mundo chegar a 9 bilhões de habitantes mais se precisará de água, mas a cultura do desperdício e da poluição por gases venenosos persiste. A tomada de consciência deverá partir não só dos poderes públicos mas de cada indivíduo. O que se fizer agora trará benefícios imediatos e será também exemplo para os filhos pequenos, de forma a que aprendam que a água potável se tornará escassa, e que é preciso não desperdiçá-laa, não poluí-la e reutilizá-la. A própria agricultura, produtora de alimentos e que, além das chuvas, necessita de reforço de irrigação quando as águas naturais escasseiam, deve também adotar métodos de economia, de captação e de armazenamento do líquido e não permitir o esgotamento dos mananciais, pois no Brasil muitos rios ficaram secos pelo desvio de água para as plantações. Como já foi escrito neste espaço no ano passado quando a Campanha da Fraternidade da Igreja Católica elegeu a defesa da água como tema este valioso líquido é dádiva da natureza, fonte de vida e direito de todos. Mas é também dever de todos preservá-la.





