O ano de 2006 será atípico para os brasileiros. Terminado o carnaval, e aproximando-se do fim o período de veraneio, as atenções começam agora a voltar-se para a Copa do Mundo, que tem início em pouco mais de 90 dias. E a partir daí serão as eleições – de presidente da República, governadores, deputados estaduais e federais e senadores. São acontecimentos de relevância, sobretudo a campanha eleitoral, porque se a opinião pública não aprecia os políticos e não deposita fé na maioria deles, impera uma expectativa nacional por parte da iniciativa privada, que prefere aguardar o resultado das urnas antes de fazer projetos e investimentos mais arrojados. O futebol da Copa, com vitórias ou derrotas, move o emocional de toda a população – porque aí se juntam os torcedores quadrienais – mas o evento importante é ainda o pleito político. E não pelo que representa em exercício de cidadania – porque todos descrêem que algo vá mudar para melhor – mas principalmente pela razão apontada, a do adiamento de decisões importantes por parte dos governos, das empresas e dos investidores. E isto, naturalmente, tem influência nos negócios e na economia. Uma certa compensação ocorre nos fins-de-anos eleitorais, porque os governantes, visando a reeleição, começam a fazer obras-tampão, pouco consistentes e só de efeito eleitoreiro, mas que geram empregos temporários e acionam a economia por alguns meses. A própria campanha eleitoral mobiliza grandes somas e é um tempo em que muitos ganham, por médios e pequenos serviços. Embora as restrições da legislação, que limita gastos, os candidatos se valem de dinheiros extras dos caixas-2, e estes nunca serão eliminados. Porque muitos que doam não querem aparecer, e os que recebem dessa forma não podem declarar. Ademais, ninguém teme a lei eleitoral, pela certeza de duas coisas: uma – à qual os políticos dão pouca importância – é o escândalo público que pode irromper; outra, a certeza da impunidade. Para alcançar a graça de eleger-se, tudo passa a valer, porque o poder público tem as arcas cheias e é pródigo em generosidades para quem entra nesse recôndito de tesouros. Todos desejam desfrutar das glórias desse reino encantado. Por isso a esmagadora maioria dos candidatos busca o polpudo emprego representado pelo cargo e pelos prazeres do poder. Esse poder, ademais, disponibiliza imunidades. Espírito público, este só existe em baixíssimo porcentual, tão imperceptível que, quando um parlamentar ou um governante se revelam atuantes e honestos, passam a ser notícia. O que deveria ser regra é exceção nestas terras brasileiras. Retomando o fio da meada, não se poderá afirmar que 2006 será um ano perdido para o Brasil, mas não será de grandes avanços, tanto na área pública como na privada. Justamente pela situação de expectativa sobre o que vem pela frente na corrida eleitoral.

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