Opinião - Oportunismo eleitoral gerando saneamento
O corte do pagamento pelas sessões extraordinárias, na Câmara Federal, está servindo de exemplo para Assembléias Legislativas e Câmaras Municipais. Porque é nos poderes legislativos mais altos que elas se baseiam ao fazer o cálculo porcentual de seus ganhos, das ajudas de custos e mordomias. Por isso a inversão que acaba de ocorrer em Brasília precisa ser seguida por todas as Casas. Nada mais coerente. E, mila-grosamente, porque o ano é eleitoral, a decisão federal já desencadeou um efeito-cascata, que é oportunista mas não deixa de ser saneador. Os parlamentos do Brasil inteiro, inevitavelmente, terão de discutir essa questão. Pelo menos três Estados já se mobilizam para seguir a decisão dos colegas federais. Os deputados estaduais, na maioria, ainda não se manifestaram, mas o encurralamento a que, com certeza, serão submetidos, os obrigará a também cortar os gastos pelas sessões extras, cuja pauta pode muito bem ser discutida folgadamente no período regulamentar. E espera-se não apenas o corte desse gasto desnecessário mas também a redução do recesso, porque não se justifica convocar reuniões temporonas havendo um tão largo tempo de doces férias. Os parlamentares das câmaras mais baixas já devem estar angustiados pela possibilidade de perda dessa boca, mas parece que o recurso do suprimento salarial por via das sessões extraordinárias tem os dias contados. Os anos eleitorais têm suas vantagens, pois possibilitam aos políticos a malandragem de ficarem mais operosos e tomarem medidas decentes não significando que não o façam em outras épocas, porém não com o fervor do ano fatídico em que são colocados no paredão pelo eleitorado. Conforme igualmente previu este Editorial, há o vaticínio de que, sem remuneração, as convocações extras acabem caindo de moda. É o que também veio a dizer o presidente da Câmara, Aldo Rebelo. Porque o espírito público dos ditos representantes do povo não chega ao ponto do trabalho gratuíto. São Paulo já está puxando a caravana do fim dos ganhos extras em todas as casas legislativas. No Pernambuco, os deputados estaduais reunem-se amanhã para tratar do assunto, e na Câmara Municipal de Recife o caso será discutido em março. Na Bahia, o deputado estadual Zé Neto, do PT, promete entrar com projeto propondo diminuir (ao menos) o recesso de 90 para 40 dias. Recorda-se que, por meio dos jornais e demais veículos de comunicação, a opinião pública sempre condenou os ganhos por sessões extras, e recentemente alguns deputados federais começaram a devolver esses ganhos ou doá-los a instituições beneficentes. Com a divulgação progressiva dos nomes dos
caridosos, a corrente se espraiou e iniciou-se uma corrida em massa dos colegas, no mesmo sentido. Em tempo de eleição os políticos têm medo do povo. Afinal, o polpudo emprego comporta sacrifícios. E agora, com a oficialização do corte na Câmara Federal, a maré do oportunismo moralizador o meio, afinal, justificando o fim já começa a invadir as soleiras das Assembléias estaduais e das Câmaras Municipais. O eleitorado deve ficar atento aos deputados e vereadores que não vierem a aprovar o corte. Por ora, os 54 deputados estaduais do Paraná e os vereadores (estes não têm eleição agora) estão quietos, imaginando que não serão lembrados pela imprensa e pelos eleitores. É chegada a vez do povo.





