O operador de máquina fotocopiadora Leandro Macedo, 19 anos, morador em Cambé (13 km a oeste de Londrina), gosta do que faz e tem orgulho de pagar a escola e ajudar nas despesas de casa com o salário que recebe numa empresa no centro de Londrina. Ele ganha dois salários mínimos pela atividade em período integral. E sempre tem um dinheiro extra pelos reparos das máquinas que opera. Ao ser informado de que um funcionário que faz o mesmo serviço na Câmara de Deputados recebe R$ 1.900.00, o rapaz reivindica: ''Também quero um salário desse''.
A proprietária da empresa onde Leandro trabalha, Mariangela Vidotto, ao ouvir o comentário, tenta trazer o funcionário de volta à realidade. ''Só que um salário desse é pago pela população, por nós brasileiros'', diz ela. ''Não tem problema'', emenda o funcionário, já imaginando o que faria com o salário pago em Brasília.
Quando se fala em privilégios, em um País com tantas desigualdades, não há como deixar de lado o Poder Legislativo. O orçamento da Câmara dos Deputados previsto para este ano é de R$ 1,8 bilhão e a maior parte desses recursos é gasta com o pagamento dos salários dos deputados e dos servidores.
Cada um dos 513 deputados tem direito a uma verba de gabinete de R$ 35 mil mensais para contratar funcionários com uma remuneração que chega a R$ 5 mil. Enquanto um operador de máquina copiadora ganha em média pouco mais de um salário mínimo nas empresas privadas, na Câmara, conforme a Folha noticiou domingo passado, a função de ''assistente legislativo'' tem remuneração inicial de R$ 1.943,34. Valor que pode chegar a quase R$ 3 mil depois de 15 anos de serviço.
Seguranças, porteiros, auxiliares de serviços gerais e de apoio legislativo
também recebem salários polpudos, se comparados aos pagos pelas empresas
privadas e pelo Executivo federal. Esses cargos, denominados de ''técnico
legislativo'' têm remuneração inicial de R$ 2.263,02. No fim de carreira, o salário chega a R$ 3.466,45.

mockup