Se o governo e analistas preveem um aumento de 4,4% do combustível ao consumidor final, quem explica o fato de que, em algumas bombas de combustível de Londrina, o reajuste ter chegado anteontem a 7,1%? A correção de 6,6% para gasolina e 5,4% para o diesel foi autorizada às distribuidoras pela Petrobras para a última quarta-feira e, pelo jeito, mesmo quem tinha estoque antigo aproveitou para aplicar o novo preço.
Como era comum na época da inflação alta, teve muito motorista fazendo fila em postos, na noite de terça-feira, para abastecer o carro com o preço antigo. Na maioria dos estabelecimentos paranaenses, o preço da gasolina é R$ 2,99. Um banho de água fria para quem esperava encher o tanque e viajar no feriado de Carnaval.
O reajuste do combustível acontece sete meses depois que a Petrobras mostrou a necessidade de aumentar em 15% o preço da gasolina e do óleo diesel garantindo assim os investimentos da companhia para o período até 2016. O problema é que esse reajuste, embora já pese no bolso do consumidor, não resolve a defasagem de preço dos combustíveis vendidos pela Petrobras em relação ao mercado internacional. Alivia o caixa da estatal, mas não resolve o problema. Ressaltando que o preço estava defasado nas distribuidoras, não nos postos. Quem não se lembra do aumento inexplicável e orquestrado da gasolina no feriado de Finados, em Curitiba?
Diante da ameaça da inflação, o governo federal decidiu escolher um "momento oportuno" para aumentar o preço dos combustíveis. Praticando-o a partir dos últimos dias de janeiro, o reajuste não deve pesar no Índice Nacional de Preços ao Consumidor (IPCA) de fevereiro graças à redução de 18% da tarifa de energia.
Se a população comemorou o recuo na conta da luz, a festa acabou quando percebeu a "operação casada" com o reajuste dos combustíveis. Conter a inflação é mesmo a grande preocupação da equipe econômica da presidente Dilma nestes primeiros meses de 2013.

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