ONG vai combater aids na fronteira
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sábado, 18 de maio de 2002
Alexandre Palmar Equipe da Folha 
Foz do Iguaçu A posição geográfica, a realidade sócio-econômica e o perfil epidemiológico de Foz do Iguaçu levaram a Coordenação Nacional de Aids/DST (doença sexualmente transmissível) e a Population Council, uma organização internacional de pesquisas, a elaborar uma política especial de prevenção à doença na cidade.
A medida foi tomada após estudo feito em áreas fronteiriças. Além de Foz, foram pesquisadas Oiapoque (AP), Tabatinga (AM), Cruzeiro do Sul (AC), Corumbá (MS) e Uruguaiana (RS). Foz, Oiapoque e Corumbá, devido a alta vulnerabilidade à aids, serão as primeiras a contar com o programa, previsto para ser implantado a partir de julho.
A Unaids, organismo da Organização das Nações Unidas (ONU) destinado ao combate ao vírus HIV, repassará US$ 500 mil para programas de prevenção em zonas de fronteira. Também participam da iniciativa a Organização Mundial de Saúde (OMS) e Organização Pan-Americana de Saúde (Opas).
O objetivo é conter os casos de aids nas cidades, evitar a proliferação do vírus para outras regiões e entre os países, haja vista a grande mobilidade populacional identificada pelo comparativo. O estudo mostrou outros aspectos, como prostituição, contatos sociais heterogêneos e tráfico de drogas.
Em Foz, preocupa a passagem de caminhoneiros brasileiros e de países do Mercosul que viajam para diferentes regiões do Brasil. A Estação Aduaneira do Interior (Eadi) recebe diariamente uma média 600 caminhões, parte deles do Paraguai e da Argentina, com cargas de exportação e importação.
O relatório da Population Council aponta como fatores preocupantes os jovens e o grande fluxo de visitantes atraídos pelo turismo e compras no Paraguai. Segundo a análise, uma fatia, embora pequena, usufrui a prostituição local. Setenta e cinco por cento dos portadores em Foz contraíram o vírus por via sexual, informa Cristina Takae, coordenadora do programa municipal de DST/Aids.
Com reflexo dessas características, está a transmissão vertical do HIV. A taxa nacional de aids neonatal está abaixo de 1%, mas em Foz o índice chega a 2,5%. No ano passado, 30 crianças contraíram o vírus num total de 71 gestantes que não fizeram profilaxia. O índice é quase zero dentro das gestantes que usaram terapia antiretroviral.


