Lançado nos Estados Unidos no início do ano, o livro ‘‘One World, Ready or Not’’ foi um sucesso total. No Brasil será editado brevemente pela Geração Editorial, ainda sem tradução de título definido. Literalmente poder ser ‘‘Um Mundo não Preparado’’ ou ‘‘Um Mundo Pronto ou Não’’. O seu autor é o escritor e jornalista William Greider, por décadas editor nacional do importante jornal ‘‘Washington Post’’. O livro alerta para os riscos do capital globalizado, destacando que o sistema atual é fundamentalmente instável, a despeito de toda a retórica favorável.
O autor destaca: ‘‘É preciso reexaminar algumas das premissas sob como a economia mundial está se globalizando. Chegou a hora de, reconhecendo a complexidade do assunto, começar um sério debate sobre a questão do controle de capitais e finanças globais. Da maneira como as coisas estão evoluindo, a economia mundial está caminhando para uma crise monumental’’
A realidade unipolar que passamos a viver, pós Muro de Berlim, passou a receber conceitos deterministas que o tempo está fazendo ruir. Por exemplo, chegou-se ao absurdo de um certo Francis Fukuyama, funcionário do Departamento de Estado dos EUA, num livro que foi ‘‘best-seller’’ mundial, constatar que havia chegado o fim da História. Outros tantos seguiram as suas pegadas. Bastaram poucos anos para se comprovar que os conflitos econômicos e financeiros persistem num outro contexto. O Japão está entrando no 5º ano de estagnação econômica e numa crise de seu sistema financeiro, como uma verdadeira bomba de ‘‘neutron’’. Uma bola de neve está se formando na economia mundial.
O autor William Greider teve muita contestação ao seu livro ‘‘One World, Ready or Not’’, quando do lançamento nos EUA. Hoje, além do ‘‘Washington Post’’, os outros dois mais importantes jornais norte-americanos, ‘‘Wall Street Journal’’ e o ‘‘New York Times’’ comungam das suas preocupações sobre o excesso da capacidade industrial e os riscos de deflação mundial.
Com a palavra William Greider: ‘‘Desencadeada uma deflação competitiva, os países desvalorizarão suas moedas, as empresas reduzirão a produção, as pessoas perderão seus empregos, sua renda e deixarão de pagar as suas dívidas, ameaçando os bancos. Esse é um processo muito difícil de parar. No sistema global sem controle que temos hoje, o problema se amplifica, pois as crises de uma país ou de uma região repercutem imediatamente em outros países e regiões, até mesmo nas nações ricas’’.
Mesmo diante desse cenário patético, Greider não defende o fechamento do sistema globalizante, mas um novo conjunto de regras que regulamente a especulação financeira que invade o mundo em todos os quadrantes. Destaca que os ‘‘tigres asiáticos’’ por muitos anos foram vendidos ao mundo em desenvolvimento como o exemplo a se seguir. Hoje a região, exceção da China, é um terremoto que inquieta o mundo. A origem: investiram demasiadamente em produção e no mercado imobiliário. O resultado foi desastroso.
Os tópicos aqui citados servem para demonstrar a importância e atualidade desse livro que chegará, em breve, às livrarias brasileiras. Para estudiosos, interessados e curiosos na atualizada questão da globalização sem preconceito ou carranca ideológica, é uma obra fundamental para se ler e entender o que pode nos aguardar no novo milênio. Finalizo com o autor: ‘‘A desigualdade econômica, que está sendo exacerbada na economia global, mais cedo ou mais tarde se transformará num problema grave. A desigualdade aumentará, pois os pobres são sempre os que mais sofrem, os pobres nos países ricos e os pobres nos países pobres. Estamos no início e ninguém sabe como isso vai terminar, sobretudo nos países em desenvolvimento’’.
- HÉLIO DUQUE é economista e presidente estadual do PSDB.

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