O desafio da logística brasileira vai além da infraestrutura nos portos, rodovias e ferrovias. Um problema ainda mais grave vem afetando o setor de transporte rodoviário de carga no Brasil: a falta de mão de obra. A verdade é que, infelizmente, este é um problema antigo e que foi ainda mais agravado com a nova lei do tempo de direção que regula a jornada dos profissionais e demanda mais motoristas.

Mas onde estão os caminhoneiros? Parece que não é apenas por aqui que lidamos com esta triste situação. A falta de motorista profissional é um problema que afeta também a Europa, a América do Norte e os outros países da América do Sul.

Iniciativas institucionais e privadas tentam contornar a situação na Alemanha, por exemplo. Lá, várias iniciativas estão sendo desenvolvidas para tentar despertar o interesse dos jovens para a profissão de motorista de caminhão. Tanto é que a Federação Nacional do Transporte Rodoviário da Alemanha vai iniciar uma campanha nas mídias sociais para atrair a atenção dos jovens para a profissão.

Um estudo sobre o futuro do carreteiro, encomendado pela Universidade de Heilbronn, na Alemanha, apontou quais os motivos que tornam a profissão pouco atraente para os jovens. E podemos pensar que as respostas seriam as mesmas por aqui. De acordo com a pesquisa, a imagem negativa do condutor de caminhão e a qualificação obrigatória são os principais motivos para não escolherem a profissão.

O fator financeiro também desestimula os jovens a escolher a formação de condutor profissional. Mas é preciso lembrar que, como outras, esta profissão também evoluiu ao longo dos anos. Hoje, no Brasil, um motorista de caminhão pode chegar a ganhar mais de R$ 5 mil mensais. Além disso, as condições de trabalho melhoraram muito, os caminhões estão mais modernos e muitos empresários investem no treinamento da equipe constantemente.

Apesar de ainda sofrermos com a falta de infraestrutura nas estradas brasileiras, o fato é que a realidade mudou. Hoje os empresários de transporte estão investindo na valorização dos motoristas e, mesmo assim, sofrem na hora de buscar um profissional. Esta constatação é alarmante, já que a demanda de motoristas de caminhão será maior no futuro pois, nos próximos 10 ou 15 anos, milhares de motoristas irão se aposentar.

O desafio de atrair jovens para a profissão é constante. A situação no trânsito, os controles rigorosos por parte dos órgãos públicos com esta nova lei que não oferece estrutura para ser cumprida e a imagem distorcida do caminhoneiro são alguns dos problemas mais visíveis a serem enfrentados.

A falta de experiência, qualificação profissional e conhecimento de eletrônica embarcada não são empecilhos para que se inicie na profissão. Os cursos de especialização ajudam nisso. O grande empecilho, infelizmente, é a falta de interesse dos jovens em se verem como motoristas de caminhão.

GILBERTO ANTONIO CANTÚ é presidente do Sindicato das Empresas de Transportes de Cargas do Paraná (Setcepar)


■ Os ar­ti­gos de­vem con­ter da­dos do au­tor e ter no má­xi­mo 3.800 ca­rac­te­res (55 li­nhas) e no mí­ni­mo 1.600 ca­rac­te­res (25 li­nhas).
Os ar­ti­gos pu­bli­ca­dos não re­fle­tem ne­ces­sa­ria­men­te a opi­nião do jor­nal. E-­mail: opi­niao@fo­lha­de­lon­dri­na.com.br

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