Quem chega a Londrina, encanta-se com seu dinamismo de cidade cosmopolita: amplos horizontes, típicos de interior, recortados por um adensamento de edifícios com design moderno. Surpreende-se com a ampla gama de ofertas comerciais e de serviços disponível e com o alto nível de conhecimento de seus profissionais.
Contudo, em meio a essa agitação de cidade grande, que já padece de algumas mazelas decorrentes do desordenado jeito de crescer brasileiro, identifica-se aqui e ali uma trilha do sol. São bares, restaurantes, com amplas áreas abertas; são lagos, beiradas de rio, córregos e ribeirões em fundos de vale, que se espalham como artérias por toda a cidade, levando e trazendo o pulsar ritmadamente tranquilo da vitalidade; são as cadeiras de plástico que, ao cair da tarde, estendem-se preguiçosamente nas calçadas, convidando homens e mulheres à contemplação e à conversa; são os trajes descontraídos da maioria, que evita ou desdenha, por absoluta falta de utilidade, a seriedade do terno e da gravata.
Esse ar de festa, de procura constante pelo bem viver, tonalizado de verde, refrescado pelo vento forte e intensificado pela insolação rude e persistente, dá a quem chega a estranha sensação de que há praia em algum lugar. Falta o cheiro da maresia, do sal. Falta o marulhar distante, indistinto, das ondas se quebrando de encontro às pedras. Falta a praia. Sobram, no entanto, muita água e muito sol.
Por isso, na cidade, mais do que passageiras, outono e inverno são estações quase imperceptíveis. Incomodam, especialmente as massas polares que insistem em vir do Sul, mas não se acomodam, porque aqui a prevalência e a preferência são da primavera e do verão.

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