Omissão, impotência ou conivência?
A manchete exclusiva deste jornal no último domingo mexeu com a dignidade de muita gente que desconhecia a gravidade desse tipo de crime. Diz o conceito de cidadania que devemos participar mais, fazer mais e deixar de debitar a culpa ao governo. Nem sempre isso é possível. O tráfico instalou um poder paralelo em algumas capitais e já rivaliza com o governo legal na tomada de decisões em periferias. Portanto, os governos perderam o poder para o tráfico. Em alguns casos não se deve falar que houve ''perdas'' se a ação do tráfico foi facilitada. No mínimo houve omissão.
Isso no tráfico. Já no caso da marginalidade comum - mas sem descartar a infiltração de traficantes -, o crime entrou pela porta da frente, com o beneplácito de alguém muito importante que estava no governo. Este é o caso dos ''perueiros'' de São Paulo.
Em tudo que é negativo, com perversidade de longo alcance, há um envolvimento de homens públicos, sejam casos recentes ou feridas abertas há mais tempo, entre 30 e 40 anos atrás. Até nos deslizamentos de morros a falha é da administração. A propina ou a falta de fiscalização permitiram construções em lugares não adequados.
Agora temos a certeza que o governo perdeu mais uma guerra, contra a qual nunca teve a coragem de levantar um dedo. O tráfico de pessoas movimenta nada mais nada menos que 32 bilhões de dólares por ano. Muito dinheiro fazendo giro forte em torno de crimes e violências. É de apavorar um depoimento do tipo: ''A mulher, você vende e revende até ela ficar louca, morrer de Aids ou se matar''. Mais: ''Mulher tem que ter quase 4,5 mil relações sexuais para pagar a dívida inicial. Uma declaração tem a ver com a outra, no tráfico de mulheres para a prostituição e criminalidade.
A crueldade dos traficantes de mulhores apavora. Para essas pobres adolescentes e jovens só resta a sorte. Para elas não há Polícia eficiente; não há Ministério da Público. Não há governo. Não há amigos, não há Justiça. Não há ninguém. Porque ninguém quer sair da zona de conforto. No Brasil as autoridade preferem fiscalizar a foto da criança no jornal ''exposta ao público em condição desfavorável''. Não pode.





