Olhos de torcedor
O caderno de esportes, de qualquer jornal, tem uma peculiaridade em relação aos demais: ele é lido essencialmente por torcedores. Isso pode ser considerado uma solução e um problema ao mesmo tempo. Podemos dizer solução porque os leitores que gostam de esporte são fiéis. Por outro lado é um problema porque o torcedor, mais do que um leitor comum, é movido pela paixão pelo seu time de futebol, basquete, vôlei, handebol e outros esportes.
A função do jornal, como todos sabem, é informar. Seja boa ou ruim, a notícia precisa ser publicada. Quando esse leitor apaixonado vê uma matéria que não é positiva sobre seu clube ele fica indignado, sem entender que o jornal precisa mostrar a realidade e não dourar a pílula.
Um exemplo é a equipe de basquete de Londrina que tantas alegrias já deu à cidade. O time vem fazendo um campenato irregular e demonstra ser bem mais fraco que em temporadas anteriores. O jornal mostra isso. Mas, os apaixonados vêem isso com olhos de torcedor. Dirigentes do clube chegam a criticar algumas matérias que não ajudam o time. Ora, o jornal mostra os fatos. Não tem função de ajudar ou atrapalhar, apenas de mostrar a realidade.
Para não ficar só no basquete vejamos outro exemplo. O Londrina Esporte Clube jogou recentemente contra o Cruzeiro no Estádio do Café. O público compareceu e praticamente lotou as arquibancadas. No dia seguinte após a partida, uma matéria do jornal questionava se o Estádio havia encolhido para irritação dos seus dirigentes. Ora, se o Café tem capacidade para 45 mil pessoas e o estádio estava quase lotado, como referendar o número de 20 mil torcedores divulgado pelo público? Impossível. A função do jornal é mostrar a realidade, sem paixão, mesmo que isso desagrade.
Cláudio Osti





