OLHO NO BOLSO - Educação financeira se aprende na escola
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sábado, 28 de agosto de 2010
Érika Gonçalves<br>Reportagem Local 
No início do mês, 450 escolas públicas dos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Ceará, Tocantins e do Distrito Federal iniciaram aulas do projeto-piloto de educação financeira. O projeto é iniciativa de entidades do mercado de capitais como Febraban, Anbima e BM&FBovespa, com supervisão do Ministério da Educação. O objetivo é atingir mais de 200 mil instituições de ensino e erradicar o analfabetismo financeiro no Brasil.
O projeto-piloto consiste no ensino de conceitos como orçamento doméstico, poupança, aposentadoria e financiamentos a 15 mil estudantes do ensino médio em 2010 e 2011. Para os estudantes do ensino fundamental, os conteúdos serão ministrados a partir de 2011.
Não haverá aula específica, todos os assuntos serão tratados em meio às outras disciplinas. Os responsáveis pelas aulas serão os próprios professores da rede pública, que receberam treinamento específico. O objetivo é que a partir de 2012 o projeto seja expandido para as 200 mil escolas da rede pública do País.
Para o professor de Finanças do ISAE/FGV (Instituto Superior de Administração e Economia/Fundação Getúlio Vargas) José Carlos de Abreu, a iniciativa tem o mérito de mostrar às crianças e aos jovens como viver com determinada quantia e destacar a importância dos sacrifícios necessários para se fazer uma poupança e ''planejar um futuro melhor.''
Qual a importância do projeto de educação financeira nas escolas para os atuais e futuros consumidores?
É muito importante que a pessoa tenha desde cedo uma noção do que é poupança, do que é planejar gastos, do que é saber viver com uma determinada mesada e ter que passar o mês com um recurso limitado.
Só as aulas serão suficientes para garantir que os alunos passem a adotar novos hábitos de consumo?
A prática as pessoas já têm. Quando a criança vai na lanchonete, ela tem que ter uma ideia de quanto vai gastar, quanto vai ser o troco, se a mesada vai dar para o final do mês, se o dinheiro que ela vai gastar na condução ou para comprar um material está dentro do orçamento. A aula vai apenas formalizar, dar um arcabouço mais estruturado. Se a aula for voltada a exemplos práticos, não vai precisar mais nada.
A mesada é uma boa forma de ensinar a criança a trabalhar com o dinheiro?
Acredito que sim. É melhor do que dar todo dia um (pouco de) dinheiro. Quando a criança recebe e sabe que é para gastar no dia, não tem a ideia de poupança. Ela sabe que o dinheiro tem que dar para comprar o lanche, pagar o ônibus, comprar um lápis. Acho que ela aprende a racionar o capital, aproveitar melhor. Os pais devem ser rigorosos e não dar mais dinheiro se a criança gastar tudo, senão não ensinam nada.
E há um valor ideal para esse repasse semanal para a criança?
É fundamentalmente ligado à capacidade financeira da família. Se a família tem condições de dar R$ 2,00 por dia, tudo bem. Se é mais abastada, pode dar R$ 5,00. Mesmo que a família seja muito rica, não pode dar mais que isso. Não se pode dar muito dinheiro para criança pequena.
O senhor pode indicar outras atitudes que os pais devem tomar para ensinar o filho a ter o hábito de poupar?
Os pais podem conversar com a criança sobre esse assunto, seja no café da manhã ou no almoço. Não vai contar dinheiro em cima da comida, é para falar sobre planejamento, poupança. Levar ao mercado ou pedir para comprar coisas na padaria ou feira ajuda também. A criança vai fazendo o link com a prática.


