Levanta, estica e puxa. Quando se fala em cirurgia plástica, difícil encontrar alguém que não tenha algo a dizer sobre o assunto. Recentemente, a Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética perguntou a mais de 20 mil cirurgiões, em 84 países, ''qual a influência que as celebridades têm nas decisões tomadas pelo paciente?''

O resultado, atestou: há necessidade de as pessoas se informarem cada vez mais sobre escolhas, profissional contratado e, em especial, a conscientização.

Em entrevista à FOLHA, o presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, José Tariki, faz a ressalva: no Brasil, as palavras que regem o gosto de pacientes fogem do ''rosto de Michael Jackson'' e da face repuxada, de muitas celebridades.

Em se tratando de cirurgia plástica, até que ponto o ''barato'' compensa?
Devemos levar em conta que o Brasil é um dos países mais conceituados no universo da cirurgia plástica, no mundo. Se em quantidade perdemos apenas para os Estados Unidos, em termos de qualidade estamos extremamente conceituados, em várias áreas. Na somatória, muitas vezes qualidade e moeda forte contam bastante. O outro aspecto refere-se às promessas: quando há o oferecimento de financiadoras, em ''36 meses'' e hospitais e clínicas não tão qualificadas, e um cirurgião que não é reconhecido, o barato sai caro. É preciso estar de olho aberto.

O senhor é favorável à nominação ''turismo sanitário''?
Não. A pessoa não viaja de seu país de origem a outro para fazer turismo e sim para um tratamento médico. Por que a cirurgia plástica é turismo e a cirurgia cardíaca não? Explico, abrasileirando: quem vem operar, não pode tomar sol, não pode se dedicar a uma atividade física, não pode viajar. Onde está o turismo? Inexiste.

No Brasil, as pessoas procuram ter o rosto de Angelina Jolie, o abdômen de Brad Pitt e equivalentes, conforme indagou a Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética, em recente pesquisa?
Pelo contrário. O que mais ouço, que creio ser uma característica do brasileiro, são afirmações do tipo: ''pelo amor de Deus, não me deixe com a face da artista da novela x, que está disforme'', ''não me ponha a mama gigantesca da atriz y'', ''não quero os lábios de pato da cantora w''. A mulher, que é quem mais recorre à cirurgia, fala justamente o contrário do que perguntava a pesquisa.

Na última semana, a cantora Mariah Carey teria se submetido a uma cirurgia para extrair um par de costelas, e afinar a cintura. Não é a primeira celebridade a ser alvo da boataria. Procede essa ''banalização'' de tal expediente?
Nunca vi ninguém fazer ou o autor se apresentar. Esses boatos ganharam força nos concursos de Miss e com a cantora e atriz Cher, 15 anos atrás. Essa discussão, toda vez que sai, é condenada por todos os médicos. Quem faria isso, aliás, seria um cirurgião torácico. Certamente, tal profissional jamais realizaria a cirurgia para fins estéticos. Há um tipo de peito, que é retraído, que requer que sejam cortadas as costelas. Em caso de patologia, sim. Quanto ao par de costelas a menos, acredito estar mais para mito.

Quais as cirurgias campeãs de audiência, no Brasil?
Entre as mulheres, a lipoaspiração e as próteses de silicone. Entre os homens, a lipo e a rinoplastia, isto é, a cirurgia de nariz, lideram o ranking.

É comum vermos jovens de 15 anos pedindo, ao invés da tradicional viagem à Disney, um par de seios ''novos''. Afinal, qual a idade ideal para encarar o bisturi?
Acredito que, a partir dos 17, 18 anos, uma adolescente possa fazer uma cirurgia de peito ou uma lipoaspiração. No segundo caso, desde que a pessoa não esteja acima do peso. Tem-se a impressão de que, ao fazer a lipo, a pessoa vai emagrecer: nunca submetemos alguém com sobrepeso a uma lipo se esse sobrepeso puder ser controlado do ponto de vista clínico.

O Brasil ocupa o segundo lugar no ranking mundial que quantifica a incidência de cirurgia plástica. A demanda está crescendo ou há a estagnação?
Não temos números, mas estamos levantando as empresas que podem quantificar, o mais próximo possível da realidade, uma estatística que traga números, faixa etária e escolhas. Até a metade do ano, começo do segundo semestre, teremos estatísticas concretas.

Em recente entrevista, a cantora Madonna declarou: ''Certamente não sou contra cirurgia plástica. No entanto, sou totalmente contra discutir isso''...
Culturalmente, o Brasil, como os demais países latinos, tem o hábito de exposição do corpo, por conta de nosso clima, também. Não há segredos sobre a cirurgia. Aí está a diferença. No Brasil não se faz rodeios: em qualquer jantar, em qualquer nível ou classe social, fala-se sobre a plástica e revela-se os segredos sem maiores pudores. Da classe alta à classe média, média-baixa, o acesso está se democratizando. As pessoas não titubeiam e fazem mesmo, popularizando o tema. Tanto é verdade que a próxima novela da TV Globo trará um personagem que é cirurgião plástico.

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