OLHA O BURACO...
PUBLICAÇÃO
sábado, 15 de junho de 2002
Walter Ogama<br>Reportagem Local 
Boa parte das rodovias estaduais e federais do Paraná está em condições precárias e oferece riscos não somente aos motoristas e passageiros que trafegam por elas, mas também aos moradores de comunidades que margeiam as estradas e transitam normalmente a pé por trechos sem acostamento e tomados por buracos. Durante a semana que passou, equipes de reportagens da Folha de Londrina viajaram por algumas dessas rodovias em regiões distintas do Estado. O objetivo desse trabalho foi de detectar as condições das estradas e mostrar o que foi visto aos leitores. Posições dos responsáveis pela manutenção dos trechos deteriorados poderão ser publicadas posteriormente, desde que apresentem soluções para o problema, conforme sugerido no final deste texto.
Uma das equipes percorreu em dois dias 1.050 quilômetros. Na segunda-feira, em 12 horas de viagem, foi possível percorrer apenas 470 quilômetros, mais que o dobro do que se gastaria para uma viagem em condições normais de estrada, a uma velocidade média de 100 quilômetros por hora. Os principais responsáveis pelo atraso foram os trechos da BR-153, entre Ibaiti e Santo Antônio da Platina, no Norte Pioneiro, e da PR-092, entre Santo Antônio da Platina e Jaguariaíva. No primeiro a equipe foi obrigada a um desvio por causa do protesto dos prefeitos da região contra as condições da estrada, que culminou no bloqueio da pista por tempo indeterminado, nos dois sentidos, na manhã de segunda-feira (leia texto neste caderno). No segundo, o tráfego de caminhões pesados e a falta de terceira faixa para os veículos menores desafogarem a pista, com ondulações acentuadas devido aos remendos no asfalto, impedem uma viagem rápida e segura. À noite, o perigo é maior, pois a falta de sinalização é o grande inimigo do motorista.
A viagem foi iniciada em Londrina, pela BR-153, que por ser pedagiada tem pista dupla em trecho de 19 quilômetros até Jataizinho, no Norte do Paraná. Alguns locais perigosos atormetam os motoristas, ainda assim, principalmente pelo excesso de velocidade no trecho urbano de Londrina. Durante o trajeto, a equipe registrou dois acidentes na manhã de segunda-feira, um deles envolvendo uma motoneta. Outro, a pouco mais de dois quilômetros do primeiro e no mesmo momento, envolveu três veículos.
De Jataizinho a Cornélio Procópio, ainda pela BR-369, a rodovia é pedagiada mas prossegue-se em pista simples. A terceira faixa existe em alguns trechos, nos dois sentidos. A partir de Cornélio, a reportagem da Folha seguiu pela PR-160 por 32 quilômetros até Congonhinhas. A falta de acostamento em alguns trechos e a terra e a sujeira na pista, principalmente perto das propriedades com lavouras de cana, em época de corte, são algumas das características negativas da rodovia.
A viagem prosseguiu de Congonhinhas a Ibaiti, no Norte Pioneiro, em trecho de 65 quilômetros pela PR-435, por onde a equipe pretendia seguir pela BR-153, motivo de protesto dos prefeitos e da comunidade regional (leia texto neste caderno). Mas já na saída de Ibaiti o bloqueio da rodovia com terra, na manhã de segunda-feira, exigiu um desvio de 19 quilômetros por estrada rural até o município de Conselheiro Mairinck. O motivo: a 153 está praticamente intransitável. Já antes do bloqueio a velocidade foi reduzida e o carro se viu obrigado a manobras para desviar dos enormes buracos que tomam a pista. O desgaste do veículo foi sentido pelo motorista da equipe, nas manobras rápidas com o volante e na troca constante de marcha, que exige o uso exagerado da embreagem e do câmbio.
Placas na margem da rodovia alertando sobre os perigos dos buracos foram encontradas em vários locais. Mesmo assim, o alto o risco para quem não está habituado a transitar pela 153, pois algumas das crateras abertas na pista podem resultar em danos aos veículos e principalmente ferimentos em passageiros e motoristas desavisados. BR-153, interditado em favor da vida, dizia uma faixa instalada no local onde a rodovia foi bloqueada por lideranças municipalistas do Norte Pioneiro.
Até Santo Antônio da Platina, por este trajeto, a viagem durou 7 horas, por 218 quilômetros, incluindo o rápido intervalo para o almoço e as paradas obrigatórias para o registro fotográfico das várias irregularidades encontradas no trajeto. Menos da metade do percurso programado para o primeiro dia, que previa repouso em Ponta Grossa.


