Oito adiamentos depois
O julgamento dos acusados pela morte de Eduarda Shigematsu é adiado mais uma vez
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 29 de julho de 2026
O julgamento dos acusados pela morte de Eduarda Shigematsu é adiado mais uma vez
O oitavo adiamento do julgamento do caso Eduarda Shigematsu evidencia uma fragilidade do sistema de Justiça brasileiro: a dificuldade de entregar uma resposta a tempo razoável para a sociedade. Mais de sete anos depois da morte da menina de 11 anos, em Rolândia, na Região Metropolitana de Londrina, a sociedade continua sem o desfecho de um processo que deveria ter sido submetido ao Tribunal do Júri há muito tempo.
O novo cancelamento foi motivado pela falta de um juiz, em Maringá (Noroeste), para presidir a sessão. É a segunda vez que o julgamento é adiado por esse mesmo motivo. Em 20 de maio do ano passado, ele foi postergado também pela falta de magistrado naquela cidade.
É o quarto cancelamento ocorrido apenas em Maringá. Inicialmente, houve divergências sobre o local do júri, que foi transferido de Rolândia para Londrina e, posteriormente, para Maringá.
Dessa vez, o julgamento do pai e da avó da vítima, Ricardo Seidi e Terezinha de Jesus Guinaia, aconteceria na semana que vem, em 4 de agosto. A decisão do TJ-PR foi protocolada no processo na segunda-feira (27) e assinada pela magistrada Elaine Cristina Siroti. Enquanto o cargo de juiz substituto não for preenchido, não há previsão de uma nova data para o julgamento.
Eduarda morreu em 24 de abril de 2019, em Rolândia. No dia seguinte, a avó registrou um boletim de ocorrência informando o desaparecimento da menina. As buscas mobilizaram familiares, vizinhos e a Polícia Civil, com apoio do Sicride (Serviço de Investigação de Crianças Desaparecidas). O corpo foi localizado no dia 28, enterrado na garagem de um imóvel da família.
Ricardo Seidi é acusado de homicídio triplamente qualificado, por asfixia, por recurso que dificultou a defesa da vítima e por feminicídio, com aumento de pena por se tratar de vítima menor de 14 anos. Ele também responde por ocultação de cadáver e falsidade ideológica. Preso desde abril de 2019, sempre negou ter matado a filha.
A percepção pública é que a Justiça caminha em ritmo incompatível com a sua missão e a frase da tia de Eduarda, Juliane Pires, em entrevista, resume esse sentimento: "Estamos desacreditados da Justiça”. Como entender que o julgamento de um caso de grande repercussão como o da morte de Eduarda Shigematsu acumula oito adiamentos?
Um julgamento adiado oito vezes não beneficia a família da vítima, que aguarda uma resposta do Estado por meio do Poder Judiciário, e também não beneficia os acusados, que têm o direito de ver a sua situação definitivamente julgada. Já a sociedade espera que crimes de extrema gravidade sejam investigados e apreciados por um Tribunal do Júri em prazo compatível com a relevância dos fatos.
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Adriana De Cunto
Chefe de Redação da Folha de Londrina.


