OCUPAÇÃO DE ESPAÇOS PÚBLICOS - Comércio deve estar integrado ao planejamento urbano
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terça-feira, 21 de setembro de 2010
Mariana Guerin<BR> Reportagem Local 
Em Londrina, a retirada dos quiosques da Área Central prossegue. O objetivo da administração municipal é deixar mais espaço para circulação das pessoas em locais como o Calçadão. Posteriormente, novas licitações deverão ser realizadas.
A ocupação de espaços públicos por comerciantes é tema de estudo da arquiteta italiana Corinna Morandi, diretora do Laboratório de Urbanismo e Comércio do departamento de Arquitetura e Planificação do Politécnico de Milão, na Itália. Ela esteve em Londrina para apresentar os resultados de uma pesquisa sobre a difusão e polarização de atividades comerciais nas regiões vizinhas da Lombardia, Piemonte e Emilia Romagna.
Para ela, não há uma receita e sim o uso de várias ferramentas para lidar com a questão, que é complicada e deve levar em conta o microurbanismo. ''É preciso achar a melhor localização para o comércio e integrá-lo à cidade, com políticas de transporte e design, ainda que seja necessário redesenhar o espaço público.''
Como alocar os centros comerciais no cenário urbano?
O comércio tem que ser uma importante preocupação do design urbano, pois tem grande impacto na paisagem e influencia a ocupação do território das cidades. É preciso levar em conta as diferentes possibilidades, oportunidades e formatos dos centros comerciais, sendo que o objetivo deve ser o balanceamento de lojas periféricas, em grandes áreas comerciais, construídas em locais de fácil acesso, e áreas intermediárias, onde outros formatos são melhores para a localidade.
No estudo, os formatos que mais sofreram foram as pequenas lojas de varejo, pois o comércio assumiu um importante papel para outras atividades de convivência e socialização, como os restaurantes. Estou falando em comércio e entretenimento num só lugar. E para que isso se realize é necessário modificar o cenário urbano onde o comércio está localizado.
E qual deve ser o papel do poder público na redefinição do cenário urbano?
É preciso dar conta de todo tipo de necessidade porque as pessoas querem escolher que tipo de comércio preferem, onde querem ir. Não podemos incentivar apenas os pequenos comerciantes dos bairros ou só a abertura de lojas em áreas periféricas. É importante que os governantes conheçam os impactos e escolham leis para diminuí-los.
Qual é o papel do comércio hoje no cenário urbano italiano?
Na Itália, cada região tem a possibilidade de diferenciar seu próprio sistema de regra porque as regiões são muito diferentes e competem entre si para obter os melhores grupos internacionais. E às vezes não há um bom impacto do ponto de vista territorial. A acessibilidade é uma questão muito importante no país, já que a maior parte do território é urbanizada ou semi-urbanizada e o papel dos grandes centros comerciais é impedir a suburbanização da terra. É muito importante escolher terras já urbanizadas e com boa acessibilidade, onde não é necessário construir novas rodovias ou viadutos. Nesse contexto é que entra o reaproveitamento de áreas construídas em solo já modificado e que hoje estão abandonadas.
E qual o papel da sociedade civil na urbanização?
Na Itália, a população não participa da negociação, mas quase sempre é contra a destinação de certas áreas para o comércio. Já os pequenos comerciantes estão bastante preocupados com o que vai acontecer em seus negócios com a chegada de grandes redes. Mas, em geral, os projetos comerciais já seguem o planejamento geral de reaproveitamento de áreas degradadas e preservação de áreas históricas.


