Não é novidade para a população em geral que a violência atingiu níveis alarmantes. Pesquisa Nacional de Vitimização, divulgada ontem pela Secretaria Nacional da Segurança Pública do Ministério da Justiça, aponta que 32,6% dos brasileiros que vivem em cidades com mais de 15 mil habitantes declararam ter sofrido ao longo da vida algum dos 12 tipos de crimes ou ofensas definidos pelo estudo, como furto e roubo de automóveis, motocicletas ou bens, sequestro, fraudes, acidentes de trânsito, agressões, ofensas sexuais e discriminação.
Além de ser um índice extremamente alto, e que demonstra que a violência está presente até mesmo em cidades de pequeno e médio porte, outro dado preocupante é que a maioria das ocorrências sequer é comunicada à polícia. A mesma pesquisa aponta que a subnotificação média para a vitimização anual no Brasil, considerando os 12 tipos de crimes listados no estudo, é de 80,1%. Isso significa que grande parte das ocorrências não chega ao conhecimento das autoridades e, por isso, não compõem as estatísticas.
Daí pode ser explicada a "sensação de insegurança", sentimento bastante presente entre a população. A conclusão óbvia é que também não há confiança total no trabalho da polícia. Tanto que crimes considerados "menores" como furtos de objetos, agressões, ofensa sexual e discriminação, por exemplo, são menos notificados. A polícia é procurada quando há esperança de reaver o bem tomado, como roubos e furtos de veículos e em casos de sequestros.
A situação real só será conhecida a partir da correta notificação de todas as ocorrências. Enquanto isso não for feito, estatísticas que apontam para a queda da violência ficam sem valor efetivo. Também é importante a criação de mecanismos que estimulem as denúncias, que façam com que a população se sinta segura para registrar suas queixas e que confie no trabalho da polícia. A justiça, um direito constitucional, tem que ser garantida a todos os brasileiros.

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