Obsolescência planejada: uma história pouco contada!
Você sabe o que é obsolescência planejada? Para muitos, a resposta pode ser: "não", nunca ouvi falar! Então, falaremos sobre isso. Lembra daquele refrigerador ou televisor que era dos seus avós, passou para seus pais e hoje está na sua casa, no seu trabalho ou república? É uma triste notícia, mas os de hoje não são mais fabricados com a mesma qualidade; embora que, com mais tecnologia.
Seus filhos nunca mais terão acesso aos aparelhos que você comprou no seu casamento, pois o sistema capitalista e de consumo não autoriza mais esse tipo de produto; acredita-se que as pessoas precisam consumir mais e mais, na sociedade em que vivemos. Respondendo a primeira pergunta, Giles Slade conceitua obsolescência planejada como sendo "(...) a expressão comum utilizada para descrever as mais diversas técnicas adotadas para limitar artificialmente a durabilidade de produtos manufaturados com o objetivo de estimular o consumo repetitivo". Como podemos ver, é uma prática recorrente e utilizada pelos fabricantes, ao criarem algum produto, tendo como "meta" reduzir o tempo de vida do mesmo, sendo assim, ele estraga logo; você compra outro, e nisso se estabelece toda corrente consumista.
A geladeira que durava cerca de 30 anos, hoje não passa de 5 ou 6 anos; o televisor, a mesma coisa, e tudo isso por culpa da obsolescência planejada; uma realidade que muitos não conheciam. Os produtos não são mais feitos para durarem tanto tempo, pois isso não geraria lucro contínuo para as empresas, além de diminuir o capital de giro na economia; e então não é vantagem para os fabricantes.
Essa prática é antiga; segundo Valquiria Padilha, iniciou-se em 1929 com o primeiro cartel "Phoebus" que foi criado com a finalidade de limitar o tempo de duração das lâmpadas que antes duravam 2.500 horas, e que posteriormente teve seu tempo de vida útil reduzido para mil horas. Dessa forma, fica claro que não é lucrativo e não é o objetivo do capitalismo nem das empresas criarem produtos como antigamente, cujo tempo de duração era o seu maior potencial (a maior propaganda) de venda; em que quanto melhor e mais durável, mais se vendia.
Na atual sociedade de consumo, o que se percebe, segundo Bauman é: "(...) o consumismo, em aguda oposição às formas de vida precedentes, associa a felicidade não tanto à satisfação de necessidade (como suas versões oficiais tendem a deixar implícitos), mas a um volume e uma intensidade de desejos sempre crescentes, o que por sua vez implica o uso imediato e a rápida substituição dos objetos destinados a satisfazê-la".
Sendo assim, com o aumento do consumo, a alta insatisfação e a "falsa" necessidade das pessoas em consumirem cada vez mais, estimula ainda mais a prática da obsolescência planejada - com seu expressivo aumento dia após dia, e assim colaborando com o aumento de consumidores inadimplentes, pois na ânsia de comprar um novo aparelho acabam entrando em dívidas que não conseguem pagar ou que fogem de seu orçamento. Outro grande prejuízo para a população sobre a prática da obsolescência planejada é o grande crescimento de resíduos; aumento de lixo no mundo; quando compramos um celular novo, o antigo vira lixo, e quanto maior for o aumento dessas compras, mais lixo! É preciso que as pessoas se conscientizem sobre essa prática, para que não sejam reféns de tais atos das empresas, evitando ser lesado, mesmo que discretamente, e também para que ajudem o nosso planeta - e para que criem a consciência de que o mundo está pedindo socorro com o grande aumento de lixo causado pela obsolescência planejada. As empresas têm como meta o aumento de suas vendas e, muitas vezes, não se preocupam com o que esse aumento pode gerar. É preciso se conscientizar e ajudar a proteger o planeta em que nossos filhos viverão amanhã.
ALLAN CÉSAR DE ARRUDA é advogado, mestrando em Direito pela Universidade de Marília (SP) e professor de Direito Processual Civil e Direito Penal na Unopar em Bandeirantes
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