Observações sobre o Teatro Municipal
Um memorial descritivo de como será o Teatro Municipal de Londrina não foi divulgado, depois que se anunciou (no final de março) a aprovação do anteprojeto vencedor, do arquiteto paulista Tiago Nieves. Apenas se informou genericamente - na reunião anunciando o ganhador do concurso nacional que foi instituído - que o projeto arquitetônico terá pequenos lagos permeando a sala de espetáculos principal - esta com 1.200 assentos - e uma sala de multimeios. Ontem, no espaço de artigos de opinião desta página, o arquiteto e professor da Universidade Estadual de Londrina, Eduardo Suzuki, fez algumas indagações sobre o anteprojeto escolhido.
Ele figurou entre os concorrentes, classificando-se entre os 25 melhores trabalhos, dentre os 105 apresentados, e diz: ''Espero que os renomados julgadores não tenham sido influenciados, seduzidos e deslumbrados por um novo paradigma espacial, pelo visual, pelos cenários, pelos modismos, em detrimento da funcionalidade''. Afirma que o que o preocupa é ''o projeto ter uma associação direta com os templos de consumo, do tipo shopping centers''.
O arquiteto deixa supor que não houve preocupação com itens como acessibilidade, novas alternativas de representação teatral, colaboradores internos, fracionamento e clausura do setor de serviço, problemas operacionais de controle, circulação, carga e descarga de cenários e equipamentos, otimização das instalações e equipamentos, custos de manutenção dos imensos espelhos d'água, dos jardins de lajes impermeabilizadas, dos elevadores, da circulação e escadas em excesso; e mais: com a interferência acústica das soluções espaciais e construtivas e com a viabilidade da platéia do grande teatro para algumas apresentações.
Esses alertas devem ser considerados, porque se trata de uma obra caríssima, estimada em mais de R$ 30 milhões, e não poderá eventualmente converter-se em ''elefante branco'', como se diz dos gigantismos de baixa funcionalidade. Caso das grandes casas teatrais brasileiras, construídas no passado e que empolgam pela pompa, mas são obsoletas hoje. Essas críticas são conhecidas, porque feitas hoje por gente do universo das artes cênicas. Foram modelos de uma época, seguindo a arquitetura dos teatros europeus, mas a modernidade arquitetônica excessiva pode resultar também numa obra de baixa operosidade e dispendiosa demais, tanto para a construção como para a utilização e a manutenção.
E espera-se que o arquiteto paulista, vencedor do concurso, tenha conhecido a localização do terreno, devendo saber que se trata de um quadrilátero de grande movimentação externa de veículos pesados, em todos os seus lados. Por isso o edifício deve ter os mais aperfeiçoados requisitos de acústica contra ruídos. O procedimento da Prefeitura foi correto, quanto à idéia do concurso, mas pelo alerta agora feito deve-se examinar tudo detalhadamente, porque a obra ainda não começou. Se o anteprojeto ganhador está definido, não significa que, se necessário, se faça reparos no momento de edificar a obra.





