Obrigações com a Pátria em todos os momentos
A frase-título adapta-se a muitas datas e celebrações, e neste 7 de Setembro é oportuno rememorar que nossas obrigações com a Pátria devem manifestar-se em todos os momentos, não com reverência a símbolos mas com gestos e atitudes. Porque a Pátria é formada por todos os brasileiros, e cada um tem a responsabilidade individual de manter coesa a unidade nacional. A Pátria não é apenas indignar-se ante o desmando dos governantes mas mobilizar-se por todos os meios lícitos, e até pela força, para impor a moralidade e restaurar a sanidade das instituições.
O patriotismo manifesta-se pela luta constante contra tudo que prejudica os princípios da justiça e do bem comum, e isto se traduz por ações coletivas e individuais, a cada instante. Há que protestar sempre e agir diante de cada ato injusto, seja contra as autoridades tiranas, seja contra os que exploram a fé alheia, seja contra os perversos, que se revelam também entre os que nos rodeiam; há que lutar contra os maus costumes, sem omitir-se jamais, e policiar também o próprio comportamento. Isto é ser patriota. A indiferença é confortável para aquele que não deseja se envolver, mas se ele é beneficiário dos bens que uma situação de paz e segurança lhe proporciona, deve ter consciência de que é devedor aos que se expõem para que isso aconteça. Um não altissonante ante os que querem impor o arbítrio, pequeno que seja, não é intolerância mas um ato de independência.
E a independência não se contrapõe à solidariedade, mas há que distinguir entre as concessões da coexistência pacífica e o consentimento com as ilicitudes. A frase lapidar de que o preço da liberdade é a eterna vigilância pode significar um coração aberto mas também o olhar atento. Porque aquilo que se vai tolerando irresponsavelmente pode amanhã tolher liberdades, e então poderá ser tarde demais para resgatá-las. Os tiranos vicejam onde não encontram reações contrárias, e vão se robustecendo até um ponto em que ficarão poderosos demais, e então será difícil destruí-los. Os políticos são corruptos porque os cidadãos permitem.
Certas leis e normas aviltantes e prejudiciais à sociedade vão sendo aceitas, mas elas cairiam como folhas secas se os cidadãos vilipendiados decidissem unanimemente descumpri-las. Se a isso se dá o nome de desobediência civil, pode ser também um sinônimo de soberania e de liberdade quando uma situação arbitraria chega ao ponto de exaustão. A Pátria é a coragem manifestada de cada cidadão, que não precisa brandir uma lança ou levantar uma espada mas apenas reagir e agir em defesa dos seus direitos e dos direitos coletivos, e eles estão presentes às vezes em detalhes mínimos e aparentemente irrelevantes, mas que se robustecem em dimensão e abuso se constantemente tolerados. Quando se despreza as pequenas liberdades vai-se perdendo a consciência do valor também das grandes.





