Obras inacabadas e descaso com o dinheiro público
As quase mil obras públicas paralisadas no Paraná, segundo estimativas do Tribunal de Contas do Estado (TCE), refletem o descaso com o dinheiro público. Há casos relatados de prédios concluídos e equipados abandonados sem qualquer uso, expostos à deterioração do tempo. O cenário é um retrato da falta de continuidade administrativa, do mau uso do dinheiro público, características marcantes da política brasileira. Embora não haja estimativas de quanto dinheiro foi desperdiçado, é inadmissível um número tão alto de obras paralisadas. Como mostrados em reportagem publicada nesta FOLHA, os exemplos ''não são privilégio'' de uma ou outra região, estão por todo o Estado.
Assim como ocorre na iniciativa privada, é preciso modernizar a gestão pública, torná-la mais eficiente. Toda empresa carece de um planejamento estratégico, de uma visão de futuro que tenha por objetivo desenvolvê-la e focar o seu crescimento. O mesmo deve ocorrer com o Estado. A descontinuidade administrativa torna a estrutura lenta e inchada.
O desenvolvimento de um País, de um Estado ou mesmo de um município é um planejamento de longo prazo, algo que não pode - e não deve - ser feito em quatro ou oito anos. Depende da continuidade de políticas públicas, do desenvolvimento de projetos que contribuirão para o desenvolvimento da comunidade local e da participação da sociedade como um todo. Se forem ouvidas as reais necessidades da população, os acertos serão muito maiores.
No entanto, parece fazer parte da cultura política nacional justamente o oposto, como se as iniciativas tomadas pelos antecessores todas fossem ruins ou não merecessem crédito. O que parece ocorrer, em muitos casos, é a descontinuidade simples, feita somente para não o crédito da ação ao antecessor. Por isso, talvez a única saída palpável seria propor mudanças na legislação. Regras que determinassem a continuidade de projetos relevantes, que iniba a gastança desnecessária de recursos públicos.
Somente mudanças na lei - e punições - é que poderiam inibir essa prática. Também é importante que a comunidade esteja unida para cobrar efetivamente a continuidade de projetos importantes. A população, em geral, não pode continuar neste estado de apatia, como se tudo fosse natural e ''parte do processo político''. É preciso uma cobrança efetiva ou, ao menos, uma resposta nas urnas.





