O Tribunal de Contas do Estado (TCE) realizou no ano passado um estudo detalhado das obras inacabadas no Estado. Foram encontradas 1.055 obras paralisadas por motivos diversos. Oitenta e oito por cento delas iniciadas com recursos estaduais, 7% municipais e 5% federais. A pesquisa foi realizada entre os meses de janeiro e julho de 2001. Entre as obras levantadas pelo TCE está o Fórum de Curitiba, no Centro Cívico, que teve as obras paradas completamente no dia 10 de abril de 1992.
A construção do Fórum da cidade foi tema de uma CPI instalada na Assembléia Legislativa. Em junho, pouco antes do recesso, os parlamentares ouviram o engenheiro Rodrigo da Rocha Tanus, diretor da Coteli Construtora Técnica Ltda., empresa responsável pela construção da estrutura do fórum.
A Coteli explicou que venceu a concorrência pública para a realização da obra no final de 1986, ainda no governo José Richa (PSDB). O projeto do governo do Estado foi seguido sem qualquer alteração, exceto a elevação solicitada em 1988 para a instalação de um restaurante.
A obra foi terminada em 1989, depois de realizados novos cálculos estruturais. A Coteli, de acordo com Tanus, solicitou o pagamento adicional do material que foi usado para fazer a parte inclinada para o restaurante. O Tribunal de Justiça (TJ) analisou e aprovou o pedido. No dia 28 de outubro de 1989, o governo do Estado emitiu uma aceitação provisória da obra sem qualquer tipo de contestação e no dia 30 de abril de 1990 foi emitida a aceitação definitiva. As duas autorizações foram assinadas pelo engenheiro Atos Parolim Cecato, do Departamento de Obras Públicas (Decom). Na época, o governador era Alvaro Dias.
Em 1991, assumiu o governo Roberto Requião. A parcela restante não foi paga. Sem qualquer explicação inicial, a licitação para a continuidade da obra foi suspensa. O Estado declarou a Coteli uma empresa inidônea e revogou a autorização da aceitação da obra. O novo laudo do Estado, assinado pelo mesmo engenheiro Cecato no dia 7 de junho de 1990, apontava falhas estruturais e dizia que o prédio poderia desabar. A Coteli entrou na Justiça e solicitou um laudo pericial indicado pelo TJ.
Em 29 de julho de 1992, o perito do TJ concluiu que houve erro de projeto (feito pelo Estado e executado pela construtora), flexibilização da estrutura e defeitos na execução que poderiam ser corrigidos na continuidade da obra. ''Mas a obra poderia ser continuada. Houve erro e de governantes. Tem que se descobrir agora quem foi o culpado pela paralisação da licitação. Nossa parte nós fizemos. E até hoje não recebemos por isto'', afirmou Tanus. A Coteli entrou na Justiça contra o governo do Estado pedindo indenização por danos morais e o pagamento da última parcela da dívida. A ação ainda não foi julgada.
Apesar das obras inacabadas fazerem parte do cenário de diversas cidades paranaenses, a Ouvidoria Geral do Estado (OGE) nunca recebeu qualquer tipo de reclamação por descontinuidade das obras públicas.

mockup