Tanto a Independência, comemorada ontem, como a República são processos em construção. O Brasil de hoje é superior, como sociedade complexa, ao dos tempos da pregação dos militares nos anos de chumbo, embora os números mais sólidos que obtinham em termos de Produto Interno Bruto, aquele tempo, sim, em escalas chinesas e até a elas superiores.

Sempre se discutiu, no auge do nacionalismo que vem do retorno de Getúlio Vargas nos anos cinquenta e é retomado com vigor pelos militares, que era indispensável diferenciar a independência formal da substancial, aquela que deriva da busca dos nossos caminhos, primeiro num mundo bipolar por força da Guerra Fria e depois em função das realidades novas impostas pela globalização, na qual acabamos nos inserindo como potências de médio porte nos Bric e protagonistas decisivos no processo mundial.

Se na busca da independência avançamos, já não se pode dizer o mesmo na construção da República até hoje uma perspectiva um tanto quanto remota pelo predomínio da patrimonialismo, herança do Brasil colonial até hoje não superada em que pese tanto a urbanização quanto a industrialização e tudo o que temos de avançado. As evidências do ''aparelhamento'' de Estado, já demonstradas em episódios como o dos ''anões do orçamento'' até chegar à obra prima da corrupção com os mensaleiros agora se traduz na manipulação de um setor-chave da vida de qualquer país, a Receita Federal, com sua instrumentação partidária como se estivéssemos aqui ressuscitando os ''comissários do povo''.

Reduzimos dependências externas, mas internamente nossas instituições nada têm de republicanas em termos mais exigentes: estão aí à vista, no processo eleitoral, o ranço oligárquico, meio feudal, como resistência a um quadro de renovação política.

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