Obra cara e não-prioritária
A construção do NovoMuseu inaugurado ontem, em Curitiba, serve para se tirar muitas conclusões, uma delas a de que o governo sabe gastar somas fabulosas com obras não prioritárias e é capaz de executá-las bem, se o interesse é aproveitar oportunismos e satisfazer vaidades. Outra, é que pode transformar um velho edifício numa suntuosa construção em apenas 5 meses, como foi o caso desse monumental empreendimento. Guindado em meados do ano, por mérito, à presidência da União Internacional dos Arquitetos, o governador Jaime Lerner decidiu marcar o final de seu governo com uma obra faraônica, digna de sua condição de arquiteto e urbanista e de titular daquela instituição.
Ao custo de R$ 49 milhões, em tempo de vacas magras e quando setores sociais são sacrificados pela justificativa da escassez de recursos, o velho prédio transformado em museu é uma das mais arrojadas construções da Capital, até porque brota da mente de Oscar Niemeyer, mas não é obra de urgência e nem tem acervo para preencher os seus espaços. Um luxo arquitetônico, para ser mostrado sobretudo às dezenas de convidados estrangeiros que vieram por conta do governo, mas que nem se sabe como será utilizado. Enquanto todo esse dinheiro é gasto, 13 salas de cinema do interior, pertencentes ao Estado incluindo o Cine-Teatro Ouro Verde, de Londrina, ora em reforma recebem a notícia de que o governo não tem verba para dotá-los de novos projetores.
Para justificar tamanho gasto, o governador declara que ''a expansão do Museu de Nova York custou US$ 400 milhões'', então R$ 49 milhões não seriam nada... isto se as demandas do setor cultural estivessem todas atendidas por aqui, se não houvesse mais carências e se as finanças públicas nadassem em mar de prosperidade. Uma comparação fora de propósito. Se a construção é belíssima, existe apenas como estrutura arquitetônica, em si mesma uma obra de arte, porque o museu não existe e não há perspectiva de que passará a existir tão cedo, porque não há o suficiente para colocar dentro dele.
Por ora, para atender à pompa da inauguração que contou com a presença do presidente Fernando Henrique Cardoso e de Oscar Niemeyer o acervo foi cedido pelo Museu de Arte Contemporânea, pelo Museu de Arte do Paraná e pelo ex-Banestado. Também não há indicativo de que as pessoas o visitem com a frequência desejada, porque não haverá obras que irão atrair grande público, e até porque a visitação a um local como esse não é gratuita. Um desperdício de dinheiro e pouca utilidade para a causa cultural do Paraná.





