A Agência Nacional de Saúde (Anvisa) decide em breve a proibição ou não de quatro medicamentos para emagrecimento: a sibutramina e três tipos de anfetamina, que têm em sua composição as substâncias anfepramona, fempropopex e mazindol. Uma audiência pública realizada esta semana em Brasília mostrou que autoridades da área de saúde estão divididas.
De um lado, a Câmara Técnica de Medicamentos (Cateme) da Anvisa considera que os inibidores de apetite representam risco potencial à saúde dos pacientes e sustenta que eles já foram banidos em diversos países. Estudos apontam ainda que o Brasil é campeão mundial no uso de inibidores da fome e que os anorexígenos são a segunda causa de internação psiquiátrica no Brasil (perdendo apenas para o álcool).
Outra questão levantada pelos que defendem a proibição do comércio é que essas drogas são receitadas de forma exagerada e entre os maiores prescritores estão médicos do trabalho e de segurança de trânsito.
Contrários à proibição da venda dos remédios estão entidades como a Associação Brasileira para Estudos da Obesidade (Abeso), Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (Sbem), Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) e Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC). Especialistas dessas entidades lembram que a obesidade pode levar à morte podendo desencadear doenças cardiovasculares e diabetes.
Calcula-se que no mundo há 285.636.924 pessoas com diabetes e um novo caso surge a cada 5 segundos. No Brasil, estimativa da SBD é que só ontem cerca de 230 mil novos casos da doença surgiram em nosso País.
Antes de tomar uma decisão, é preciso considerar alguns pontos. Diante do crescimento da obesidade no mundo e do número assustador de doenças como diabetes, a proibição é o melhor caminho? Por que a Anvisa não considera melhorar a fiscalização nas farmácias e restringir a prescrição desses medicamentos a especialistas que tratam da obesidade? A proibição não estimularia ainda mais a venda desses remédios no mercado ilegal?
Não adiantaria proibir a venda dos inibidores de apetite sem oferecer um melhor programa de tratamento da obesidade nos postos de saúde municipais, com programas eficientes gratuitos, incluindo suporte médico, de nutricionistas, psicólogos e professores de educação física.

mockup