OBESIDADE INFANTIL - A luta para ficar de bem com a balança
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sábado, 20 de setembro de 2003
Chiara Papali<BR>Reportagem Local 
Refrigerantes à vontade, pouco exercício físico e doces todos os dias, mais de uma vez ao dia, fizeram das gêmeas Natália e Gabriela Camacho Gomes, de Londrina, ter pavor da balança, além de baixa auto-estima e desgosto em se vestir. O que mais assusta é que elas viveram isso dos três aos oito anos de idade, refletindo uma estatística da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, que estima que 15% das crianças brasileiras são obesas. O caminho para o emagrecimento teve que incluir uma mudança nos hábitos alimentares de toda a família.
A mãe Cristina Camacho Gomes, de 35 anos, explica que foi uma ''conquista diária'' de hábitos que as meninas, hoje com 10 anos, e a família, não tinham. Verduras, legumes e frutas, por exemplo, não faziam parte do cardápio das gêmeas, ao contrário de chocolates, balas, bolachas recheadas, pizzas e frituras. ''Quando elas estavam com sete anos pedi socorro, nessa época elas estavam ganhando muito peso em pouco tempo, mas eu devia ter procurado ajuda mais cedo, a gente fica esperando, achando que elas vão crescer, ou que vai acontecer um milagre'', disse.
Obesidade infantil para o especialista em endocrinologia pediátrica, Claudinei da Costa, é mesmo um problema de família. Para ele, o difícil não é ensinar a criança, mas mudar os hábitos de toda a família para outros mais saudáveis. ''Não é uma festa de aniversário ou um almoço na casa do amigo que vão engordar, mas o dia-dia em casa. O resultado é melhor quando toda a família se empenha'', explica.
Costa explica que não é preciso privar a criança de alimentos, mas ensiná-la a reduzir a quantidade de doces, gorduras e refrigerantes, e estipular dias para que esses alimentos possam ser consumidos. ''A gente nunca fala em regime para criança, mas em reeducação alimentar. A criança precisa estar bem nutrida para não prejudicar seu crescimento'', enfatiza.
O médico explica que é importante estar atento para o peso da criança desde o primeiro ano de vida. ''A prevenção é muito mais fácil''. Opinião compartilhada pela também especialista em endocrinologia pediátrica Sandra Marcantonio. ''O obesidade é uma doença crônica, por isso quanto mais cedo houver a conscientização, melhor. O sobrepeso não é bom em qualquer idade, e é fator determinante para doenças futuras'', alertou.
Segundo a médica tudo está aberto a negociação, ''nada é proibido''. ''A criança pode continuar comendo, por exemplo, bolacha recheada, mas em menor quantidade. Cada caso é um caso, e é importante analisar o cardápio da família'', disse.
No caso das gêmeas Natália e Gabriela, as lições deverão ficar por toda a vida. ''Foi um pouco de sacrifício, mas elas e nós aprendemos a comer melhor'', conta a mãe. A maior mudança no cardápio das meninas foi em relação aos doces consumidos todos os dias e hoje em dia apenas aos domingos. ''No sábado a gente vai no mercado e compra chocolate, bala, bolacha, o que quiser'', afirmam. E a mãe confirma: ''Eu deixo elas livres para comerem o que quiserem''.
A maior dificuldade com as gêmeas, conta a mãe, foi substituir o leite com achocolatado pela manhã, além de vencer a resistência das meninas às saladas. Hoje, elas tomam café com leite, e as frutas, principalmente maçãs, fazem parte do lanche da escola. ''A primeira semana para mim foi muito difícil, mas acabou ficando normal e ninguém reclama. Cortei bastante coisa, massas, pizzas, frituras, e acabei economizando ao fazer as compras'', disse. As meninas também começaram a praticar basquete, andar de bicicleta e fazer caminhadas.


