Excesso de peso, baixa-estima, desânimo, maior probabilidade de adquirir doenças. Muito mais que um desconforto estético, a obesidade é considerada uma doença crônica grave que pode levar à morte. De acordo com a médica endocrinologista Adriana Espinosa, 15% das crianças e 30% dos adultos são obesos no Brasil. Ela destaca que 30% desses casos estão ligados a fatores genéticos e os outros 70% são relacionados a fatores ambientais, como má alimentação, sedentarismo e causas psicológicas.
Adriana aponta que a reeducação alimentar é o primeiro passo a ser dado por quem deseja perder peso. Mas ela recomenda que isso deve ser acompanhado de uma mudança no comportamento, com a inclusão de atividades físicas, e acrescenta: ''não é só o exercício convencional que é importante. O nosso dia-a-dia deixa as pessoas preguiçosas; é controle-remoto, vidro elétrico, carro, elevador, tudo para fazermos o mínimo esforço''. Para minimizar esse ''conforto tecnológico'', ela sugere que as pessoas sempre escolham atividades que aumentem o gasto de energia nas ações cotidianas, como subir pela escada ao invés de usar o elevador e ir a pé até a padaria em vez de tirar o carro da garagem.
Como a obesidade pode ter causa emocional, a médica orienta que uma avaliação psicológica também faz parte do tratamento da doença. ''Há pessoas que comem por compulsão, quase como a dependência de um drogado, elas ingerem a comida sem controle'', exemplifica. Medicamentos, desde que receitados por um médico, complementam o tratamento.
Nos casos em que a obesidade chega a seu limite, o endocrinologista encaminha o paciente para as cirurgias de intervenção no aparelho digestivo. Elas vêm dando resultado satisfatório para casos de obesidade mórbida. A intervenção cirúrgica é um processo complicado e, por isso, indicada apenas para quem está com o índice de massa corporal (IMC) superior a 40, ou superior a 35 vinculado a doenças como diabetes, hipertensão e problemas cardíacos.
Para saber o IMC, a pessoa precisa dividir o valor do seu peso pela sua altura ao quadrado. Por exemplo, uma pessoa de 1,70 metros com 70 quilos tem IMC equivalente a 24,2 (70:1,70x1,70), valor considerado normal. IMC acima de 25 indica sobrepeso; entre 30 e 35, é obesidade grau 1; entre 35 e 40, obesidade grau 2 e acima de 40, obesidade mórbida.
O cirurgião gástrico Milton Ogawa, que calcula ter realizado 500 cirurgias de redução de estômago nos últimos três anos, explica que esses valores de IMC são referenciais. ''A casos de obesidade graus 1 e 2 que podem ser consideradas obesidade mórbida se associado a doenças'', aponta.
Após a cirurgia, o paciente precisa passar por uma fase de adaptação, onde às vezes ocorrem alguns desconfortos. O primeiro mês é a base de dieta líquida e depois a pessoa vai se adaptando a comer menos do que ingeria antes da operação. Os médicos tranquilizam que o paciente só vai passar mal se tentar ingerir o que não deve ou em quantidades superiores à capacidade do estômago.
Em Londrina, o Hospital Universitário (HU) é o único que faz a cirurgia de redução do estômago pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Desde 1999, cerca de 200 operações já foram realizadas. O cirurgião do aparelho digestivo e professor Antônio Carlo Valezi conta que são feitas cerca de seis cirurgias por mês. A espera é longa, chega a quatro anos, e Valezi estima que 200 pessoas estejam na fila do HU aguardando a operação.
Os planos de saúde cobrem essa intervenção cirúrgica quando a obesidade já está prejudicando a saúde do paciente. Valezi informa que as cirurgias de redução custam em média R$ 9 mil pelo sistema de saúde particular. Além da redução do estômago, no HU é feita uma cirurgia que mexe no intestino. ''Ao invés de reduzir bastante o estômago, você desvia o intestino e o paciente deixa de absorver nutrientes'', explica o médico. Valezi revela que com essa técnica é possível perder até 60% do peso do paciente.

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