O voto popular e a mesa da Câmara
Executivo e Legislativo em Londrina se encontram sob olhares atentos dos eleitores. Na chefia do Executivo teremos vida nova com Nedson Micheleti. No Legislativo, uma renovação de quase 60%, o que é muito significativo e é para onde está voltada esta análise. É inegável que o Movimento pela Moralidade na Administração Pública de Londrina foi fundamental para que a Câmara cassasse o prefeito eleito em 96.
A duras penas a cidade conseguiu expurgar focos de corrupção cristalizados no nível mais alto da prefeitura, apesar de que expurgar não signifique extirpar! São máculas existentes naquele organismo de tal forma que as eliminar é condição fundamental para a verdadeira prosperidade transformar egoísmo em altruísmo. Ainda resta, portanto, bastante trabalho para os promotores até atingir toda a extensão dos danos, o julgamento (sem foro privilegiado) e a punição exemplar dos culpados pelos desvios e roubos.
Já que coube aos vereadores o papel de separar o fruto podre, qual teria sido o recado das urnas? Alguns diriam que embora em momentos críticos a Câmara tenha sido tentada à chantagem, mas ainda que se digladiando internamente, resistiu e acabou cassando o elemento. Então vieram as eleições e a maioria não se reelegeu. O povo demonstrou estar farto de imobilismo e das manobras partidárias.
Por outro lado, em especial quanto aos momentos mais cruciais vividos pela cidade neste ano, destacou-se a vereadora Elza Correia (PMDB), reeleita com votação recorde e que compõe uma das maiores bancadas. A propósito, antigamente quando era outra a relação com o eleitorado, o vereador mais votado era sempre levado a presidir a Casa. Se prevalecer esta ótica, já teríamos um(a) provável presidente para a legislatura 2001/2002. Mas os tempos são outros e a lógica política, nem sempre linear.
Mas afinal, em que sentido mudará a nossa Câmara? Vai renovar-se mesmo e abrir-se de fato para a sociedade ou apenas continuará se compondo internamente? Em que medida refletirá independência, impunidade ou moralidade? Depende da composição para os cargos da mesa diretora e de quem estiver na presidência. O prefeito eleito terá um árduo trabalho para resgatar e manter elevado o padrão ético e moral, sendo essencial que a Câmara atue com base nos mesmos princípios. Sobretudo para legislar, mas também para fiscalizar a desgastada matriz do nosso poder público.
Os eleitores londrinenses estão mais alertas e de olho no comportamento dos políticos. Que se conduza aquela casa com transparência, seriedade e competência. E por que não, a partir de um programa de ações discutido com a sociedade? Que a nova legislatura encontre um Parlamento renovado, independente e não favoreça grupos que usem a famigerada Lei de Gerson. Que nossa Câmara recupere sobretudo a capacidade de exercer um poder autonomamente constituído. Pois acima de tudo, transformar é preciso!
- MARCOS ALMEIDA, representante do Comitê Londrina Cidadã





