Duas discussões no mínimo estéreis ganharam espaço na mídia na última semana. A primeira incorpora um certo cinismo, além de ignorar a inteligência do eleitor, no caso o eleitor londrinense. Estão debitando a baixa votação da presidente Dilma Rousseff:
  A) A administração do ex-prefeito Nedson, do PT, não agradou e, então ‘‘o povo deu o troco’’. Esta análise é uma heresia, para não dizer burrice. Aqui configura a falta de reconhecimento à lucidez do londrinense. A opção pelos candidatos à Presidência não precisa estar vinculada a atuação do respectivo partido no âmbito municipal.
  B) O atual prefeito Barbosa Neto, trabalhou para a Dilma e a baixa votação foi uma resposta ao prefeito. Outro equívoco. Aproveitam para desqualificar uma possível liderança de Barbosa, logo a análise não é isenta. É oportunista. Aliás, nesse quesito só cabe levantar a questão da liderança porque a administração está começando a deslanchar, com obras visíveis.
  Pelas opiniões que se dividem entre culpar Nedson - cuja administração teve seus méritos nos bairros - e duvidar da liderança de Barbosa, não sobra nada para a inteligência do eleitor. Segundo essas análises, o cidadão londrinense ou votou contra Nedson ou contra o Barbosa. Ou as duas coisas. Segundo ainda tais análises - que também incorporam provincianismo - o eleitor tem que se apoiar em cabresto perto de si. Não tem, portanto, opinião própria de longo alcance. Não teria, tampouco - segundo essas interpretações - discernimento para avaliar os candidatos à Presidência.
  Da forma como a mídia coloca - carregada de sentimento e inconformismo ideológicos - a conclusão que se chega é a seguinte (segundo a mídia): Londrina tem que achar um bom motivo para justificar os apenas 24,46% de votos à Dilma e 75,54% a Serra. Ora, em lugar de associar a votação de Dilma em Londrina a políticos locais, por que incluir uma terceira - e sensata - hipótese? A hipótese de que o Londrinense vota consciente. Não seria mais democrático e justo atribuir méritos ao eleitor? Ao contrário do que ocorre no Brasil, aqui o povo parece ler mais, esta é que a verdade.

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