O voto da vizinhança
A Copa do Mundo chegou ao final e é natural que a partir de hoje o brasileiro volte sua atenção para o outro grande evento de 2014: as eleições. Este ano, a população vai às urnas para escolher presidente, governadores, senadores e deputados federal e estadual. Mesmo que a tão desejada reforma política não tenha saído do papel, é nesta época que se volta a discutir o sistema de votação usado no País e o chamado voto distrital encontra espaço no debate.
Por aqui não se usa esse sistema de votação, em que o Estado seria dividido em vários distritos e cada um deles elegeria seus representantes. Mesmo sem que o formato seja oficialmente aplicado no Brasil, é muito comum que o eleitor escolha seu candidato à Assembleia Legislativa (AL) ou à Câmara Federal com base em critérios regionais. Ou seja, o indivíduo opta pelo político conhecido e que atenderia as necessidades locais. É o voto para "quem é da cidade ou da região".
Não há dúvidas de que essa filosofia é usada pelo eleitor, tanto é que a Assembleia Legislativa do Paraná não realiza sessões às quintas e sextas-feiras, dias da semana reservados para que os deputados visitem suas bases eleitorais. A princípio, esse tipo de escolha de candidato parece uma boa ideia. Afinal, a proximidade entre o cidadão e o seu representante poderia facilitar, por parte da população, a fiscalização e a cobrança das promessas de campanha. Mas quem acompanha, mesmo que pela televisão, as sessões da AL percebe que os assuntos regionais têm pouco espaço na pauta.
Ou seja, eleger um ou dois representantes de determinado município não é garantia de que a localidade ficará com aquela tão sonhada nova indústria ou ganhará um hospital de alta complexidade. Certas decisões dependem de muita articulação política e da capacidade da população se organizar para conquistar essas melhorias.
No outro extremo são comuns os votos dedicados aos "ilustres desconhecidos". Por conta disso, mais uma vez, este ano, os partidos estão buscando atrair os "puxadores de voto" - celebridades que fazem grande votação e carregam com elas os outros candidatos do mesmo grupo. Tiririca é um exemplo recente.
O eleitor precisa refletir sobre as suas escolhas. Mesmo que a opção seja o vizinho ou a celebridade distante, é importante analisar a história do candidato, suas preocupações e propostas para todas as pessoas e não apenas para um grupo ou região.





