Hoje quem desembarca em Curitiba é o Emerson Kapaz, secretário de Ciência, Tecnologia e Desenvolvimento, aquele que denunciou o Paraná como abusivo na guerra fiscal. Sua missão é quase um ‘‘troco’’ para Lerner: acertar junto à Inepar detalhes da montagem de um centro de excelência tecnológica. Como quem diz: enquanto o governo faz concessões até ao capital estrangeiro para atrair investimentos, permite que uma empresa genuinamente da terra, habilitada a competir no mundo globalizado, transfira as sedes dos empreendimentos em que está envolvida para São Paulo e Rio (Irídio).
Isso se dá um dia depois da publicação de um relatório da Confederação Nacional da Indústria em que se comprova que o Paraná é um dos estados mais tímidos em termos de ‘‘guerra fiscal’’. Pela ordem os gigantes aparecem: São Paulo, Rio Grande do Sul, Pernambuco, Ceará, Bahia e Distrito Federal. A mais sofisticada das receitas é a paulista e é justamente de lá que surge o estrilo ridículo sobre o assunto em manifestação de aguda hipocrisia. Conforme relatório da Receita Federal, da cota de renúncia fiscal da União no país, a região Sudeste fica com 42,76%, o Norte com 27,73%, o Nordeste com 14% e o Sul com 12, a migalha, portanto, e mais aproveitada pelos gaúchos.
Lerner se empenhou, em algum momento, para segurar os feitos da Inepar? Não. Ao contrário, ficou com seu habitual constrangimento, quando oposicionistas diziam que ele estava ‘‘pagando serviços de campanha’’ (alusão a Mario Celso Petráglia, que apostou no seu taco desde a derrota de 85 para Requião e que agora tira o time das funções de tesoureiro) a qualquer empreendimento que pudesse ser tocado pela Inepar. Na paranóia dos corporativistas que denunciavam a apropriação da Copel pela empresa paranaense, o que não era verdadeiro, Lerner não quis assumir o ônus de mostrar-se amigo dos companheiros e só não a prejudicou mais porque não havia como fazê-lo, já que o campo de atuação da Inepar é múltiplo, tecnologicamente falando.
Dá para imaginar os ganhos que teríamos como agregação tecnológica e científica se esse pólo de excelência que vai para Araraquara ficasse aqui no Paraná. Não vamos delirar, imaginando uma emulação impossível com São Paulo, mas não deixa de ser assustador o fato de que o governo, que traz tantas empresas de fora e as supre de incentivos, não mova uma palha, mesmo que passasse por quixotesco, idealista demais, para obter algo.
Ironicamente quem mais se insere na globalização e de agir pragmático, ao ponto de jamais ter preconceitos em relação ao falso dilema estatal-particular, tanto que se associa com o público e o privado (até uma usina termonuclear em Cuba, junto com a Eletrosul), não se fixa no Paraná nas mais recentes unidades decorrentes de acordos e fusões porque o governo, de estar próximo dela, parece não enxergá-la. Mais um exemplo indireto de autofagia.
BIZARRICE Mal aderiu a Lerner, o prefeito de Ponta Grossa, Jocelito Canto, corre o risco de um ‘‘impeachment’’ por acusação de estupro. Processo e certidão agora serão dados como a verdade, o que torna quase inútil a defesa, tanto no caso dele como no do chefe da Casa Civil, alvo de manobra sórdida. Pelo jeito, aquilo que os norteamericanos tiram de letra vai dar o tom da política daqui para a frente. Estamos condenados ao voyeurismo.
SPRAY Diretoria do Banestado quando esteve em Nova York foi para apagar um pequeno foco de incêndio junto ao OCC (Officer Controler Currency), órgão que controla bancos estrangeiros por causa de questões publicadas sobre o banco ou ditas no Senado.- O banco tem agência em NY e se obrigaria, na hipótese de procedência do que se divulgara, a garantir o equivalente a 110% dos depósitos naquele país. A demonstração feita foi suficiente para afastar suspeitas.- Há o problema ainda da Leasing, que estaria com 5% do seu patrimônio envolvido só naquela operação dos 500 automóveis. Há divergências técnicas, mas existe uma resposta do Banco Central afirmativa ao direito de cobrir débitos com títulos públicos e pelo seu valor de face. Perdas e ganhos entre participantes dos negócios são comuns, como em qualquer movimento com títulos públicos.- Jaime Lima, ex-assessor da diretoria do Banestado, deixou o posto para retornar à Caixa Econômica Federal, onde é procurador. Estava à disposição e o governo não vinha retribuindo ao órgão federal.- Como o governo é notoriamente mau pagador, ontem uma notícia negra: advogados tiveram ganho de causa na tese da equiparação com procuradores, por 5 a 1, numa câmara e vem aí mais ‘‘pepino’’, pois há atrasados desde agosto de 1997, o que talvez o obrigue a acordo com os peticionários abrindo mão do passado para garantir-se com o reajuste.- Caso da denúncia de Requião contra Greca tem desdobramentos: Ricardo Boechat abordou o tema e o cartorário Júlio Jacob promete ir às ultimas consequências, inclusive mandando documentação a deputados e senadores, para mostrar que o cartório de sua filha foi alvo de manobra maliciosa de pessoas que tinham amizade e até parentesco.- Campo Mourão é social-democrata mesmo: além de baixar taxas de mortalidade infantil despendeu 34,87% das receitas em educação. Esse PSDB não é alvarista.- José Aníbal Petráglia, o comandante que dirigia o Porto de Paranaguá, é que vai comandar o centro de excelência da Inepar em Araraquara.-
FOLCLORE Acusado de bater na mulher na manchete da ‘‘Tribuna’’, Pedro Lauro teve o corte de sua carreira política. Se o Jocelito Canto fosse daqui, na melhor das hipóteses, mesmo provando inocência, teria apelido: Joseclinton.
AFORÍSTICO Quando Mao-Tse-Tung disse ‘‘uma fagulha na pradaria’’ poderia estar se referindo também aos boatos da área política, do Paraná, especialmente.

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