O vigor da indústria do vestuário no Paraná
A segunda posição no Brasil (depois de São Paulo) na indústria do vestuário mostra que a pujança do Paraná está presente hoje não apenas na produção rural mas também em inúmeros outros setores. O negócio das confecções, no Estado, lança no mercado 150 milhões de peças por ano e fatura R$ 4 bilhões, empregando 76 mil trabalhadores diretos e indiretos.
Os números são da Federação das Indústrias do Estado do Paraná, promotora do Paraná Business Collection (PBC) que iniciou-se ontem em Curitiba. O evento, em parceria com o Sebrae, tem a duração de 5 dias e reúne empresas de todo o Estado e 140 atacadistas compradores, inclusive estrangeiros. No total são 2.770 indústrias. No ano passado 15 mil pessoas circularam pelas áreas do PBC, e a expectativa é que o de agora (que é o segundo) atraia muito mais.
Um ponto igualmente positivo é que as indústrias estão distribuídas em todas as regiões do Estado, destacadamente Cianorte, Maringá, Londrina, Apucarana, Imbituva, Terra Roxa e inúmeros núcleos do Sudoeste. No setor de bonés, Apucarana é a maior produtora nacional. O vigor industrial neste campo foi mostrado na recente Expovest, em Cianorte.
Quando os promotores dizem que o setor, no Paraná, sente a necessidade de ser mais competitivo, deve-se entender não a concorrência predatória mas o investimento em propaganda, manutenção da qualidade e na melhoria onde necessário, e marcadamente bons preços. Essas estratégicas devem valer para as indústrias do ramo em todo o País, para competir com os produtos chineses, que invadem as prateleiras do Brasil e preços mais convidativos. Naturalmente que, sob esse aspecto - embora as muitas estratégias pouco éticas desses fabricantes, como o dumping - será preciso rever pontos, no Brasil, como os elevados impostos sobre a produção e a comercialização e o altíssimo encargo sobre os salários, que oneram o custo final das mercadorias e serviços.
A propaganda é a alma do negócio - o velho jargão que nunca perde validade - e se o Paraná produz vestuário de qualidade, precisa difundir isto mais intensamente e subir com mais frequência às passarelas dos grandes centros, dando mais visibilidade às suas marcas. A Federação das Indústrias já vem realizando, há 4 anos, contatos com os mercados mundiais da moda e levando empresários brasileiros a conhecê-los, assim como os sistemas de difusão que adotam. O caminho inverso (de um país emergente na área para os centros tradicionais) é mais difícil mas nunca um trabalho infrutífero.





