O veto brasileiro à Nicarágua e Venezuela no BRICS
Do presidente Lula e sua equipe, o que se aguarda é que não fiquem sobre o muro
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 28 de outubro de 2024
Do presidente Lula e sua equipe, o que se aguarda é que não fiquem sobre o muro
Tenente Dirceu Cardoso Gonçalves 
O Brasil ganha destaque internacional ao impedir a entrada da Nicarágua e da Venezuela para a comunidade do BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), organismo de países emergentes que funciona desde 2015 e hoje tem seu banco de desenvolvimento presidido pela ex-presidente brasileira Dilma Rousseff.
Mesmo não tendo podido comparecer pessoalmente à reunião na Rússia – em razão do acidente doméstico que sofreu – o presidente Lula orientou a nossa delegação a tomar providências para impedir que os dois países – hoje governados ditatorialmente – tenham assento no organismo. Recorde-se que o presidente Daniel Ortega (Nicarágua) pratica perseguição à Igreja Católica e não gostou quando o brasileiro pediu pela libertação de religiosos presos. Como resultado, rompeu-se o relacionamento democrático entre os dois países.
Já o venezuelano Nicolás Maduro é acusado de fraudar as eleições na tentativa de continuar no poder. Lula tentou mediar a situação, mas suas observações foram ironizadas e não atendidas por Caracas, que em vez de divulgar o resultado da votação, os escondeu e declarou Maduro vencedor embora fontes extraoficiais digam que ele obteve apenas 30% dos cotos contra mais de 60% do opositor Edmundo Gonzále Urrutia. Maduro compareceu à reunião e bateu com o nariz na porta; não foi aclamado como pretendia.
Além de Nicarágua e Venezuela, outros países têm proposta de ingresso aos BRICS. Cada um com sua história e situação de momento deverá passar pelo crivo dos países-membros, que deverão aprovar aqueles que possam alavancar o desenvolvimento do colegiado.
Nos últimos 25 anos, a Venezuela vive um regime político surreal. O outrora rico e organizado país, grande produtor de petróleo, teve sua economia sucateada e vive aguda crise social que já levou 8 milhões de cidadãos a se refugiarem no exterior. Destes, 500 mil foram acolhidos em território brasileiro. Desde a eleição contestada, Nicolás Maduro endureceu a repressão e já prendeu grande número daqueles que não reconhecem sua reeleição e a fuga aumentou.
Dez mil venezuelanos têm passado a fronteira para o Brasil todos os meses. Além de acolhê-los – como tem feito – o governo brasileiro precisa definir sua posição em relação ao governo de Maduro para evitar tornar-se sócio das crueldades por ele cometidas.
Tantos foram os protestos internacionais contra a denunciada fraude na Venezuela – Estados Unidos, União Europeia, ONU, OEA e outros organismos e países que não reconhecem a vitoriado Chavismo – que levam à presunção de que algo tem de ser feito para corrigir o problema. A posse de Maduro para um novo mandato está prevista para janeiro. Espera-se que os reconhecedores de fraude eleitoral tomem alguma providência para evitar esse flagrante atentado à normalidade administrativa. Depois de toda a repercussão do problema e do noticiário, discursos e declarações, se os chavistas continuarem governando em Caracas, todos os que denunciaram irregularidade eleitoral estarão com suas imagens altamente manchadas e comprometidas.
Do presidente Lula e sua equipe, o que se aguarda é que não fiquem sobre o muro. Externem a posição brasileira sobre a situação e tomem as medidas cabíveis. Talvez o rompimento de elações diplomáticas no mesmo nível que fizeram em relação a Nicarágua. Nosso País não pode (nem deve) continuar acolhendo mais de meio milhão de venezuelanos que tiveram de fugir de sua pátria e continuar entre beijos e abraços com o ditador que os fez fugir...
Em tempo: sobre o estado de saúde do presidente Lula, desejamos que o acidente não tenha passado de um grande susto e logo esteja ele liberado para a atividade rotineira. Precisamos de nosso governante íntegro e bem disposto...
Tenente Dirceu Cardoso Gonçalves, dirigente da ASPOMIL (Associação de Assist. Social dos Policiais Militares de São Paulo)
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