Londrina completou 62 anos. Evoluiu e evoluiu muito, talvez muito mais que o pensamento de alguns homens que, acima e apesar do interesse público, vêem ser a política a arte da obstrução.
Refiro-me à ação dita popular que impede a comercialização de ações ou mesmo a emissão de debêntures da nossa Sercomtel S.A. Com qual propósito? Difícil responder. Talvez passar por cima da vontade popular, expressa em sessão na Câmara de Vereadores quando da discussão de tal proposta. Talvez passar por cima de nossos próprios vereadores, que a aprovaram. Talvez passar por cima das entidades representativas que acompanharam todo o processo de transformação do Sercomtel em sociedade anônima. Fica também a suspeita do desejo de serem fechadas as portas que possibilitaram coroar uma administração popular, transparente e responsável no trato de gestão pública.
Ficam as dúvidas. Hoje o prefeito Luiz Eduardo Cheida é questionado por alguns sobre as obras programadas e que não podem sair do papel. É questionado também pelas dificuldades que encontra para saldar os compromissos com o funcionalismo. Talvez devesse o prefeito pedir que os questionadores cobrem desses cidadãos que impetraram tal ‘ação popular’ o porquê de tal ato.
Talvez eliminaríamos as dúvidas. Temo, porém, que os próprios movedores dessa ação (respaldados pelo nosso Judiciário) não consigam dar uma resposta convincente. A cidade perde. Quem ganha?
Lançados os obstáculos, restou ao prefeito sancionar ou vetar a proposta da Câmara de Vereadores que concedia 50% de descontos aos insistentes inadiplentes de IPTU e taxas municipais. Uma luz, uma saída para a obtenção da arrecadação tão necessária nestes momentos difíceis.
Sancionar tal proposta seria bom, mas extremamente imoral e injusto para com os munícipes que sempre honraram suas obrigações. Prevaleceu, porém, a postura e a responsabilidade para com os cidadãos: o prefeito vetou a proposta que lhe abriria uma porta. Agiu o prefeito não como um político que busca os caminhos menos espinhosos, mas como um político que muitas vezes passa dificuldades para cumprir suas obrigações com a cidade.
Foi também com coragem que Cheida buscou a quebra do monopólio do transporte coletivo - porém falaram mais alto os interesses de grupos. Foi assim também que buscou a qualidade de vida dos londrinenses, através de inúmeras obras e serviços nas diversas áreas da administração. Foi assim que agiu quando passou a denunciar ao Paraná a postura discriminatória de nosso governo estadual, que não dá ao interior o que cabe ao interior.
As consequências de suas posições hoje aparecem: apesar de todo o trabalho apresentado nas diversas áreas sociais, apesar de toda a valorização do funciomalismo nestes quatro anos, percebe-se um grande sofrimento e dor em cada gesto do prefeito, quando ele se vê impossibilitando de realizar mais alguns quilômetros de asfalto ou mesmo recuperar as poucas escolas não recuperadas, ou mesmo quando percebe não poder dar funcionalismo o que cabe ao funcionalismo.
Que durmam tranquilos os que constroem e impõem obstáculos, ou melhor, os que fazem política ao modo antigo, pois o prefeito Cheida mantém-se na elevada posição de colocar os interesses públicos acima dos particulares.
- AGNALDO KUPPER é chefe de Gabinete do prefeito Luiz Eduardo Cheida

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