O velho escapismo
As medidas até aqui adotadas pelo governo nas áreas do câmbio e da inflação se revelaram inócuas, apesar da doutrinação que as fundamentava numa preocupação em não baixar, a qualquer custo, a expectativa generosa da sociedade que ainda era nutrida pelos sedimentos da economia aquecida. Como o governo vem, embora a curta interrupção da crise internacional de três anos passados, surfando uma atmosfera de feitos positivos, que tanta influência tiveram na eleição de Dilma Rousseff, não é fácil acomodar-se a sinais bem perturbadores, enfim ''despressurizar''.
O alerta já vinha de longo tempo e não se percebe no Banco Central a firmeza anterior, ainda que o atual comandante seja dos quadros técnicos da instituição. Nota-se igualmente o desgaste do ministro da Fazenda, Guido Mantega, que faz o papel de porta-voz oficial e que sofre com a precariedade dos remédios adotados para encarar a perda de valor do dólar, ora acoplado à incontinência da escalada inflacionária.
Em relatório do Banco Central ficou evidenciado que a inflação teria chegado a 6,34%, quase no teto da meta de 6,5%. Como há um ano a projeção era de 4,8%, dá para perceber a existência de sinais de perda de controle.
O caso do mínimo regional é paradigmático: o Paraná é o quinto estado do País em renda interna e com sinais visíveis de perda de substância, o que não impede a classe política de estabelecer em nosso âmbito o maior salário do Brasil. É evidente a falta de racionalidade nesse tipo de decisão e justamente num momento em que os contratos coletivos de trabalho ou ajustes estabelecidos baixam fortemente em relação ao cenário anterior.
Mais grave é que nenhum dos lados envolvidos, a classe trabalhadora e a empresarial, que deveria ao menos fazer o papel do contraditório, mostrou até hoje tecnicamente o impacto do mínimo regional nas várias atividades por ele abrangidas. Não há simetria entre essa concessão (a oposição petista ainda queria um valor maior) e o quadro ora desenhado. O que a ressaca vai produzir é inimaginável.





