O VAR
Anulações que ocorrem por uma pequena diferença de posicionamento dos atletas são frequentemente injustas
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 10 de junho de 2025
Anulações que ocorrem por uma pequena diferença de posicionamento dos atletas são frequentemente injustas
Luís Abumussi 
O VAR, a tecnologia usada para aprimorar as decisões da arbitragem, é benéfico para o futebol? Esse é um questionamento legítimo? Alguns alegam que tira a naturalidade do jogo. Há até os que dizem que o erro faz parte do jogo, e que ele está na essência do futebol.
Eu discordo plenamente desses argumentos. Sou um amante e admirador do bom futebol, aprecio os lances do jogo bem jogado, os lances espetaculares e as grandes jogadas, no entanto aprecio acima de tudo o jogo jogado com lealdade. E o arbitro é essencial para isso. O VAR, na minha opinião, traz uma grande evolução ao futebol.
Vamos analisar o lance do gol anulado no recente jogo do poderoso “Timão” contra o glorioso “Peixe”, os dois pesos pesados do futebol brasileiro, dois bicampeões mundiais. Tivemos nesse jogo um gol anulado pelo VAR, um lance em que o árbitro interpretou a jogada como legítima, mas foi chamado pelo VAR e reformulou a sua decisão. Foi um belíssimo gol, porém, no entendimento do VAR com uma atitude faltosa do atleta defensor na origem da jogada. Nada mais justo do que ser anulado.
Por outro lado, tivemos um lance de gol, em que o árbitro não conseguiu visualizar corretamente a posição da bola, assim como a grande maioria dos expectadores, seja presentes no campo de jogo seja pela TV, também não conseguiu. Foi um lance muito rápido e com uma pequena diferença na posição da bola, que ultrapassou por muito pouco e rapidamente, uma fração de segundos, a linha do gol. E, por isso, não foi percebido pelo árbitro, mas ele foi prontamente alertado e corrigido pelo VAR.
Ocorrem também, nos jogos em geral, muitas jogadas de impedimento, que são decididas com a ajuda do VAR, algumas por uma diferença de milímetros na posição dos atletas. É tão pequena a diferença, que só é possível mesmo ser decidida com a ajuda da tecnologia.
Anulações que ocorrem por uma pequena diferença de posicionamento dos atletas são frequentemente injustas. Tanto com os jogadores que participam da jogada, que não tem a mínima condição de controlar os milímetros da sua posição, como com todos os outros envolvidos, tanto aqueles que militam como também com aqueles que são apreciadores do futebol, pois somos todos punidos com a anulação de jogadas nas quais o jogador não leva sobre o adversário nenhuma vantagem.
Não há deslealdade, não há nenhuma vantagem indevida nesses milímetros que invalidam as jogadas. Essa não é uma boa forma de avaliação, um bom parâmetro, não é uma boa métrica. Temos que encontrar uma solução melhor para essa questão.
E a solução está em aumentarmos o foco de nossas avaliações. Vamos passar a considerar também a posição da maior parte do corpo dos atletas. Caso a maior parte do corpo, acima de 50% da superfície corporal, de ambos os atletas envolvidos no lance, estejam na mesma linha, isso beneficia o atacante, mesmo que uma parte de seu corpo esteja a frente do defensor.
Proponho então, que utilizemos o corpo dos atletas como principal referência. A maior parte do corpo na mesma linha será determinante para validar o lance, mesmo que uma parte, seja ela pequena ou não, esteja à frente. A maior parte do corpo estando na mesma linha, isso se sobrepõe a qualquer outro parâmetro na avaliação do lance.
Com isso, damos um peso maior à “lei da mesma linha”, lei que valoriza o gol, que é, afinal de contas, a finalidade principal do jogo. E ainda mais do que isso, valorizamos o jogo justo, leal e bem jogado.
Acredito fortemente que se fizermos uma pesquisa entre todos aqueles envolvidos de alguma forma com o futebol, essa nova maneira de avaliar o lance será, pela maioria esmagadora, considerada mais justa e adequada. Outra pesquisa interessante de se fazer seria um levantamento de quantos gols foram anulados pela regra atual do VAR, e quantos gols seriam validados por essa nova regra. Seria muito interessante conhecermos esses números. É uma ideia.
Luís Abumussi, leitor da Folha de Londrina
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