O valor do voto
A proximidade do fim do prazo para registro das candidaturas imposto pela Legislação Eleitoral - dia 5 de julho - está fazendo com que os partidos se apressam em anunciar os postulantes e os partidos coligados na corrida pela Presidência da República.
Convenção do PV realizada na semana passada, oficializou a candidatura à Presidência da senadora licenciada e ex-ministra do Meio Ambiente do governo Lula, Marina Silva (PV). Segundo a coordenação da campanha, a campanha terá foco em mulheres pobres. A mira não foi definida à toa. Pesquisas encomendadas pela legenda identificou maior aceitação da candidata - também de origem humilde - entre esse eleitorado, definido como o caminho da vitória. Essas sondagens ainda deverão direcionar a campanha publicitária. A história de vida da paraense deve ser abordada principalmente no horário eleitoral gratuito, embora Marina tenha pouco mais de um minuto na televisão.
Também na última semana, o PRTB confirmou o nome do ex-deputado Levy Fidelix como o candidato da legenda a presidente. Entre as propostas apresentadas durante a convenção está a criação de uma poupança no valor de quatro salários mínimos para cada brasileiro que nascer. O valor somente poderia ser sacado quando a pessoa completasse 18 anos. Apesar da proposta não limitar renda familiar para o benefício, ela tem forte apelo entre os mais pobres.
O direcionamento das campanhas para as fatias mais carentes do eleitorado não é novidade. Vide o exemplo recente do próprio presidente Lula. Apesar da modernização no marketing do então candidato fortemente verificada nas duas últimas eleições, a origem humilde e o governo para o povo nunca deixaram de ser a marca das campanhas do petista. A receita - com leves alterações - deve ser repetida agora com Dilma Rousseff.
Até mesmo o tucano José Serra já demonstrou preocupação em conquistar votos nessas camadas assegurando - reiteradas vezes - que, se eleito, deverá manter o programa Bolsa Família.
Em tempos de campanha, o eleitor é submetido a uma profusão de comparações entre os governos, a propostas mirabolantes que resolveriam boa parte dos problemas da nação (então por que não aplicadas antes?) e a abundantes promessas populistas. Por isso, leitor/eleitor, não se deixe levar pelas belas imagens, recheadas de povo, crianças no colo, etc., fruto de campanhas de marketing estudadas milimetricamente, que consomem grande parte dos recursos investidos em uma candidatura. Mesmo porque essa receita deve ser comum a quase todos.





