O Banco Central, seguindo política do Ministério da Fazenda e, portanto, do governo, permitiu a expansão, a qualquer custo, dos cartões de crédito, um excelente negócio para o setor financeiro e uma armadilha para o cliente que exagera nos gastos. Cartões, aliás, são sinônimo de coisas negativas no Brasil por causa de abusos causados pelo alto escalão do governo. Gastaram tanto e tão abusivamente que, em 2008, aquilo resultou num festival de denúncas.
Mas o cartão que é alvo de crítica do Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor (DPDC) do Ministério da Justiça, é o do mercado. Ricardo Morishita, diretor do órgão, fez discurso firme, ontem, sobre a indústria de cartões de crédito e solicitou que medidas mais duras sejam tomadas contra tarifas e práticas consideradas por ele como abusivas.
Os cartões foram o item mais reclamado nos órgãos de defesa do consumidor em 2009, sendo responsáveis por 36,48% das críticas. ''E olha que (o levantamento) vai de agulha a avião'', observou Morishita. Mais do que o número de reclamações, o que chamou a atenção de Morishita foi o perfil das críticas. O tipo de problema foi o que mais o deixou consternado, considerou, acrescentando que, no segmento de cartões de crédito, 74,32% das reclamações estão relacionadas a cobranças indevidas. Para o diretor do DPDC não há dúvidas. Há abusos de tarifas, afirmou, em entrevista à repórter Célia Froufe.
Esse abuso pode ser classificado em bitarifação, cobrança de tarifas sem serviços e taxas, muitas vezes desconhecidas pelo cliente, mas que mesmo assim são pagas por ele.
O outro lado: O diretor da Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs) Fernando Teles, argumentou que o número é alto porque os nomes muitas vezes diferentes entre os bancos, operadoras e credenciadoras, significam uma mesma tarifa. Para Morishita, no entanto, não há desculpa. Isso deve ser atacado de maneira forte. Ele discursou muito só não explicou se o governo vai disciplinar o setor; também não apontou que medidas seriam necessárias para combater o abuso.
Enquanto isso, as financeiras já estão se preparando para o fim da exclusividade entre operadoras e credenciadoras. E começam a apresentar a comerciantes propostas de fidelização para a escolha de uma ou outra marca. Ou seja, estão mantendo seu ritmo de ascensão num mercado que deu certo porque o uso do dinheiro plástico, apesar dos abusos, está relacionado à praticidade.

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